Brasília, 9 (AE) - O ministro da Justiça, Renan Calheiros, determinou ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) que seja instaurado processo administrativo para proibir a distribuição e venda do software de entretenimento Carmageddon II, modelo Carpocalypse Now, um CD-Rom que, segundo as autoridades do governo, estimula a violência entre os jovens. Pelas regras do jogo, vendido a R$ 59 nas lojas eletrônicas e pela Internet, o condutor do veículo virtual faz mais pontos quando causa "grandes estragos", destruindo maior número de trens, aviões e veículos e atropelando pedestres.
O ministro Renan Calheiros, que já havia determinado a suspensão da comercialização da primeira versão do Carmageddon, em novembro de 1997, não gostou de saber que tinha saído a segunda versão do jogo eletrônico. O Carmageddon II foi analisado pelos técnicos do Ministério da Justiça, que consideraram o brinquedo uma ameaça para os adolescentes brasileiros.
"Esmague, amasse, queime, destrua", propagam os distribuidores no formulário que acompanha o game. "É um CD que estimula a violência", observou o ministro. "As empresas deveriam desenvolver produtos que educassem e formassem nossos adolescentes para um trânsito civilizado e não para a barbárie"
concluiu, por intermédio de sua assessoria de Imprensa.
Renan Calheiros disse que os pais deveriam acompanhar os jogos que compram para seus filhos, para evitar "tristes espetáculos de violência". Segundo o ministro, o governo quer formar cidadãos e não "maníacos virtuais". Calheiros afirmou que o Brasil não pode permitir a distribuição de um jogo desse tipo no momento em que tenta educar os jovens para um trânsito sem mortes. No formulário de venda do game, os distribuidores escreveram: "Dirigir loucamente leva pontos: aniquile qualquer coisa em seu caminho."
O Ministério da Justiça irá enviar cópia do CD-Rom Carmageddon II ao Ministério Público, para que sejam analisadas eventuais providências jurídicas. Calheiros resolveu pedir a proibição do jogo com base em artigos do Código de Defesa do Consumidor.
O ministério informou que a proibição tem sustentação nos artigos do código que dizem que "todo cidadão tem direito à vida, à proteção e à segurança" e que proíbem publicidade que induza a comportamento prejudicial à saúde e à segurança. O código prevê ainda a suspensão de produtos considerados "nocivos". O ministro disse que o jogo está "na contramão da política de trânsito do País", de modo que é necessário dar um "sinal vermelho".
O distribuidor do game no Brasil é a empresa MPO Multimída, de São Paulo. No ano passado, o Ministério da Justiça suspendeu a venda de outro game distribuído pela empresa, o Grand Thief Auto (Grande Ladrão de Automóveis). A primeira versão do Carmageddon vendeu mais de 500 mil cópias em todo o mundo. Em embalagens de venda no Brasil, o Ministério da Justiça constatou que há um alerta para que o jogo não seja utilizado por menores de 18 anos. Mas os técnicos do ministério constataram que quase todas as cópias são compradas por crianças. O proprietário da MPO, Marco Botana, disse ontem que não se conforma com a proibição de mais um jogo distribuído por sua empresa. Marco afirmou que terá um prejuízo de mais de R$ 300 mil com a decisão do Ministério da Justiça. Segundo ele, a empresa tomou todos os cuidados, pedindo uma revisão na primeira versão do jogo, que estimulava atropelamentos de velhinhas, para evitar a proibição. "Nós substituímos as pessoas atropeladas por zumbis, que são mortos-vivos, tanto que o sangue é verde", disse Marco.
De acordo com o proprietário, há mais de 80 jogos no mercado que estimulam a degolação de pessoas e o governo só proíbe o que atropela zumbis. "O Ministério da Justiça deveria regulamentar os jogos, pois a proibição só favorece os camelôs da Rua Santa Efigênia, que vendem fitas proibidas", disse.
Marco Botana acredita que não está comprovado que jogos desse tipo tenham influência sobre os motoristas. O proprietário da MPO defendeu que o governo faça um estudo profundo nesse sentido, para evitar futuras proibições. Marco disse que a MPO fez uma pesquisa e constatou que a idade média dos usuários do Carmaggedon é de 25 anos.

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