Ministério da Justiça quer mais rigor na classificação de filmes
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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2000
Por Hugo Marques 
Brasília, 10 (AE) - O Ministério da Justiça vai impor maior rigor na classificação de filmes, elevando a faixa etária para exibição sempre que eles incluírem cenas de violência e uso de drogas. A primeira determinação da secretária nacional de Justiça, Elizabeth Sussekind, a quem está subordinada a área de classificação indicativa, é que nenhum filme seja liberado antes de visto na íntegra pelos técnicos, o que não vinha ocorrendo.
Hoje, a secretária recebeu representantes da indústria cinematográfica norte-americana, que já temem perder dinheiro com as medidas. Elizabeth Sussekind disse que muitos filmes eram liberados somente a partir da leitura de uma "resenha", que nem sempre trazia o verdadeiro conteúdo dos películas produzidas no exterior. A secretária pediu que os técnicos não liberem filmes sem ver a cópia integral e fazer uma análise sobre as cenas de uso de drogas e violência, principalmente com o uso de armas de fogo.
A secretaria não criou um mecanismo técnico específico para tornar mais rigorosa a classificação, mas deu na prática um exemplo do que deverá ocorrer agora. "Muitos filmes que eram liberados para a faixa dos 14 anos poderão ser proibidos para menores de 18 anos". Sussekind está atenta principalmente à exibição do que ela considera ser uma espécie de violência psicopata, como no filme "Clube da Luta", onde o ator Brad Pitt demonstra prazer ao ser espancado. Sexo - A questão sexual nos filmes não é o que mais preocupa os técnicos do Ministério da Justiça. A secretária afirmou que o que mais a incomoda são filmes com cenas de uso de drogas. "Cenas em que aparecem pessoas cheirando (cocaína) vão ser vistas com cuidado".
Elizabeth fez questão de dizer que não é a favor da censura, mas deixou claro que as pressões da sociedade civil favoráveis a um maior controle são muitas. A Secretaria Nacional de Justiça recebeu cartas de entidades civis e de cidadãos preocupados com a qualidade dos filmes e com a faixa etária determinada para exibição.
EUA - Hoje ela recebeu a visita dos representantes da indústria cinematográfica norte-americana no Brasil, entre eles Marcos Oliveira, da Warner Bros., Steve Solot, da Motion Picture Association, César Silva, da United International Pictures, e Rodrigo Saturnino Braga, da Columbia Tristar Buena Vista Filmes do Brasil. Segundo a secretária, todos se mostraram preocupados com a perda de público nos cinemas nacionais a partir das restrições que estão sendo impostas.
A secretária disse que sua preocupação maior é com o cidadão brasileiro. "Talvez nossas medidas tenham reflexo na renda deles", disse. Ela ressaltou que, a exemplo do que fez com "Clube da Luta", vai assistir aos filmes mais polêmicos e violentos antes de liberá-los. Ela relatou aos representantes da indústria norte-americana os recentes casos de violência relacionados a filmes, como o caso do jovem que atirou dentro de um cinema de shopping paulista durante sessão de "Clube da Luta", e o de um garoto de 9 anos que esfaqueou uma menina de 7 em Brasília, nesta semana, se dizendo inspirado em "Brinquedo Assassino II".
"Não é científico dizer que alguém sai fazendo amor depois de ver um filme de amor ou que fique violento após um filme com violência", disse a secretária. "Mas o problema é que a violência está ficando banalizada no cinema".


