Brasília, 27 (AE) - O ministério da Defesa deverá realizar na próxima quarta-feira (29) o último teste das providências adotadas para resolver eventuais problemas gerados pelo "bug" do ano 2000 em serviços públicos. Os testes ocorrerão no Centro de Coordenação Geral do Plano Nacional de Contingências, que funcionará como o quartel-general do governo Federal, em Brasília. No edifício-sede do ministério estarão representantes de todos os órgãos vinculados a serviços essenciais, tais como infra-estrutura (energia, comunicações e transportes); finanças e gestão; serviços, produção e abastecimento (saúde, previdência
trabalho, educação, abastecimento e saneamento); defesa e comunicação social.
Representantes de todos estes setores ficarão de prontidão durante o teste para resolver problemas fictícios que serão apresentados em suas áreas, antecipando o que poderá ocorrer de verdade na virada do ano. A responsabilidade do ministério da Defesa será de fornecer às autoridades os meios de comunicação necessários para que os problemas setoriais sejam resolvidos. A comunicação terá que ser feita rapidamente, independentemente dos problemas que surjam, como queda nas comunicações telefônicas, falta de energia, etc.
O coordenador de Comunicação Social para ações do Plano de Contingência, coronel Ronaldo do Vale Brito, afirma que este serviço será possível por que o centro estará usando basicamente a rede de comunicações do Exército, que está ligada a praticamente todos os pontos ocupados do País. "Vamos usar telefone fixo, móvel, por satélite, fax, internet, intranet, radiotelefonia, radioamador, satélites, e até os velhos telégrafos, que podem chegar em pontos onde a voz não chega com qualidade", explicou.
A adaptação da rede a este objetivo custou R$ 800 mil.Segundo o coronel, a maioria dos pontos pode ser contactada por mais de um meio, o que garante a comunicação caso algum sistema entre em pane. A central em Brasília está ligada aos sete centros regionais do Exército, que estará conectada a centros em todos os estados. Cada ponto estadual estará ligado aos centros regionais, que contará com cerca de 156 centrais locais de comunicação.
Em cada ponto deste haverá funcionários dos órgãos públicos prontos para se comunicarem com seus superiores em Brasília. "Se numa agência bancária de uma cidadezinha isolada faltar dinheiro, energia e telefone, o funcionário poderá ir de carro até a cidade mais próxima onde estará o centro de comunicações, e o Banco Central será avisado para enviar cédulas", explica Brito.
Os problemas fictícios que serão resolvidos na quarta-feira só são conhecidos pelos cordenadores do programa. O teste de fogo do sistema será feito a partir das 11h do dia 31 de dezembro, quando a Central entrará em operação. Nesse momento a virada do ano deverá estar ocorrendo na Nova Zelândia, e os problemas ocorridos lá serão acompanhados em um telão pelas autoridades brasileiras. "Nós teremos algumas horas para tentar evitar problemas que venham a ser detectados nesses países", explicou Brito.
Ele afirma que o governo brasileiro adotou todos os procedimentos cabíveis nos equipamentos sujeitos à falha por causa do "bug", mas informou que existe uma estimativa de 1% a 2% de erro nos ajustes da data. O "bug", que em inglês é "inseto", é o termo usado em informática para designar problemas no funcionamento do computador, originalmente por causa de besouros, que entravam nas grandes máquinas, e atualmente, por falhas de programação. Quando o custo da memória do computador era alta, os programas eram datados apenas com os dois últimos dígitos do ano, para economizar espaço. Assim, 1985 era apenas 85. Com a virada do ano, um computador não ajustado poderá interpretar os dois últimos zeros de 2000 como sendo o ano 1900, provocando erros de cálculos.

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