O Ministério da Saúde considerou um ‘‘desserviço’’ à população brasileira a posição da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) contra o uso de preservativos, depois da polêmica no encontro promovido pela Pastoral da Saúde, em Indaiatuba, interior de São Paulo. Em nota oficial o coordenador nacional de Doenças Sexuais Transmissíveis e Aids (DST/Aids), Paulo Roberto Teixeira, afirma que os argumentos levantados pelo secretário-geral da CNBB, dom Raymundo Damasceno, ‘‘refletem a opinião de setores da cúpula conservadora da igreja, não de sua bases’’.
De acordo com o comunicado feito pela CNBB, a garantia do preservativo no Brasil fica entre 60% e 65%. A afirmação é contestada pelo governo. Segundo Paulo Teixeira, os argumentos levantados pela CNBB são infundados, pois estudos feitos em todo o mundo, aprovados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), comprovam que o preservativo é 95% seguro contra a transmissão do HIV.
‘‘Além do mais, nunca dissemos que é uma vacina contra a Aids’’, diz a nota do ministério, rebatendo a afirmação de dom Damasceno de que a propaganda do uso do preservativo como uma espécie de vacina contra o HIV é falaciosa.
‘‘O Ministério da Saúde entende que a abstinência sexual, a castidade e a fidelidade são recomendações que fazem parte das atribuições morais e espirituais da Igreja, mas ela não pode confundir dogma com ciência, receitando ou não preservativo’’, diz o texto.
No final da nota, o ministério lamentou que a cúpula da igreja tenha desautorizado as elaborações teológicas sobre o comportamento sexual desenvolvidas no 1º Encontro sobre DST/Aids, promovido pela Pastoral da Saúde da CNBB.

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