Ministério continua o mesmo, diz oposição
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quinta-feira, 15 de julho de 1999
Por Simone Mateos, Ricardo Osman e Fred Ferreira 
São Paulo, 16 (AE) - A reforma ministerial anunciada hoje pelo presidente Fernando Henrique Cardoso preservou o essencial da política econômica do governo federal, sem indicar renovação. A avaliação é de políticos de oposição presentes hoje ao velório do ex-governador Franco Montoro, no Palácio dos Bandeirantes. "Ele (FHC) só fez uma maquiagem, trocou seis por meia duzia", disse o líder do PT na Câmara, José Genoíno. "É uma reforma caricatural", avaliou o presidente do PPS, Ciro Gomes. Para o senador Eduardo Suplicy (PT-SP), "o que está acontecendo é uma mudança de peças, mas a rainha e o rei permanecem no mesmo lugar". "As mudanças não atacam os problemas econômicos e sociais nem vai resolver os choque internos na base de sustentação do governo."
Para o governador Mário Covas e o ministro Paulo Renato, entretanto, a reforma ministerial fortalece o presidente Fernando Henrique, além de o governo ganhar um "novo impulso". "A reforma certamente vai fazer o governo ganhar novo impulso, nova coesão", afirmou Paulo Renato. "O governo sai fortalecido e com o compromisso com as reformas das instituições políticas renovado aumentam também as possibilidades de acelerar a implementação do programa de governo", disse o ministro.
"Estou satisfeito com o presidente ter tomado a iniciativa de fazer a reforma, fica firmada sua liderança em relação ao processo", garantiu Covas. Para ele, o PSDB e FHC saem fortalecidos da reforma.
Covas também disse que FHC é o único responsável pelas mudanças. "Afinal de contas, serão auxiliares dele, e têm que executar uma política que ele comanda." Ele lembrou que a reforma foi uma decisão pessoal do presidente. "O presidente está fazendo aquilo que ele deseja fazer, como é lógico no regime parlamentarista."
O governador paulista garantiu ainda que não teve influência na formação do novo ministério. "Vocês não vão acreditar, mas eu não tenho nenhuma influência com qualquer nome que tenha sido escolhido e acho que é assim mesmo, é uma decisão muito pessoal", disse Covas.
Ele não acredita que o presidente tenha cedido às pressões dos partidos para fazer a reforma. "Acho que ele (FHC) não teve em conta o que é que pertencia a cada partido, até porque não existe ministério de partido, mas sim um ministério do goveno. Alguém que ocupa um cargo desse tipo só pergunta para os outros quando quer uma informação, não quando quer uma indicação e fora disso não tem sentido", avaliou o governador paulista.
"Eu fui ao Fernando Henrique no começo do governo e perguntei quais eram os convites que ele faria em SP. Eu não queria trombar com ele, que tinha prioridade na escolha dos nomes", contou o governador.
"A reforma não vai alterar os rumos essenciais do governo, porque no meu modo de ver o Brasil está vivendo um impasse por causa desse poder econômico, tá vivendo uma quebradeia social porque não retomou o crescimento econômico", argumentou Genoíno. "Os problemas não vão se resolver porque a queda de popularidade do governo deve-se a problemas econômicos e sociais que não serão resolvidos com essa reforma."
O senador Suplicy também criticou a reforma. "Parece que a entrada de Pedro Parente tem um significado mais para acomodar as pessoas que estavam tanto incomodadas dentro da base de governo", argumentou. "As brigas com o ACM, PFL e PMDB vão continuar sendo tão fortes como estava aconteendo. Tenho a impressão que aquele jogo de cena vai continuar." A deputada federal Marta Suplicy (PT) criticou a forma como a reforma foi anunciada. "A confusão do anúncio, mais uma vez, dá aquela impressão de em cima do muro, não consegue resolver quem manda. Ficou muito mal", disse Marta.
Michel Temer, presidente da Câmara, disse que o legislativo está disposto a colaborar para que o governo ande após a reforma.


