Brasília, 27 (AE) - O Ministério da Agricultura apreendeu, em todo o País, desde setembro último, cerca de 520 toneladas de leite em pó fraudado ou impróprio para consumo humano, por apresentarem características microbiológicas fora das especificações legais. Segundo relatório apresentado hoje ao ministro da Agricultura, Francisco Turra, pelo secretário de Defesa Agropecuária, Luiz Carlos de Oliveira, os resultados das análises laboratoriais realizadas demonstraram a prática de fraudes "absurdas e abomináveis", especialmente no produto importado destinado a programas de merenda escolar e ao comércio em regiões onde a ação da inspeção sanitária é deficiente.
De acordo com o relatório, foram constatadas fraudes grosseiras por meio da adição, ao leite em pó, de elevadas quantidades de açúcar - sacarose - e amido, bem como de soro de queijo em pó, "produtos que por apresentarem baixo custo relativo, em comparação com o leite em pó genuíno, proporcionaram grandes margens de lucro aos estabelecimentos que praticaram fraude".
O secretário Luiz Carlos de Oliveira informa ao ministro que os estabelecimentos fraudadores venciam licitações públicas, já que podiam oferecer preços muito inferiores aos dos fabricantes honestos. O leite comprado através das licitações públicas era destinado a populações carentes e a crianças em idade escolar. Ainda de acordo com o relatório, boa parte do leite apreendido teve de ser destinado à produção de ração animal, já que se encontrava com prazo de validade vencido ou com outros problemas. Entre as empresas reicindentes na prática fraudulenta
o relatório do Ministério destaca a Laticínios Carolina Ltda, situada em Canindé do São Franciso, em Sergipe - hoje denominada Indústria, Comércio e Importação de Laticínios Fênix Ltda - a Culau Alimentos Ltda, de Chapecó (SP), a Indulac (Indústria de Produtos Lácteos Ltda), de Contagem (MG) e a Nutrir Produtos Alimentícios S/A, de São José da Lapa (MG).

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