Mínimos estaduais e tarifas são risco para inflação segundo Copom
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quarta-feira, 29 de março de 2000
Por Soraya de Alencar 
Brasília, 30 (AE) - A possibilidade dos Estados darem um reajuste do salário mínimo além do piso nacional de R$ 151,00, a elevação das tarifas prevista para o segundo e o terceiro trimestre e a hipótese de um choque de ofertas consequente da alta dos preços internacionais do petróleo foram considerados pelo Comitê de Política Monetária (Copom), na reunião dos últimos dias 21 e 22, como fatores de risco que podem pressionar a inflação neste período do ano.
Por isso, o Copom manteve em 19% ao ano as taxas de juros e esperou uma melhor definição do quadro internacional, a partir da reunião da Organização dos Países Produtores de Petróleo (Opep), concluída na última quarta-feira, para baixar os juros para 18,5% ao ano. De acordo com a ata da reunião do comitê, divulgada hoje pelo Banco Central, este ano as tarifas terão uma elevação média de 11,2%, com impacto direto de 2,6 pontos percentuais na variação do IPCA, índice usado no sistema de metas de inflação.
Na reunião, o Copom considerou que os fatores de risco precisam ser cautelosamente avaliados. Ao mesmo tempo em que analisou os riscos, no entanto, o Copom montou outro quadro de análise das condições da economia no qual considerou que o balanço da oferta e da demanda está equilibrado, não devendo provocar, portanto, pressões inflacionárias.
Além disso a política fiscal austera, segundo avaliação do comitê, contribui para a estabilidade de preços e para a redução do risco Brasil. Segundo o documento, o impacto da redução dos juros sobre o nível de preços ocorre em um período estimado entre seis e nove meses.
Com isso, salienta a ata, o impacto da decisão do Copom, de reduzir os juros, só deverá ocorrer no último trimestre deste ano. A manutenção das taxas de 19% ao ano nos últimos seis meses
revela o documento, teve como objetivo reagir com "a devida antecipação" ao aumento esperado para o segundo e terceiro trimestres. Mas a exemplo da ata da reunião de fevereiro, o Banco Central garantiu que a manutenção das taxas de juros em 19% permite o cumprimento das metas para a inflação para este ano e o próximo que são, respectivamente, 6% e 4%.
Segundo o documento, durante a reunião foi considerada a hipótese da redução das taxas de 19% ao ano. Mas nenhum movimento foi feito neste sentido na ocasião. O Copom preferiu reduzir as incertezas e só decidiu pela redução dos juros básicos para 18,5%.


