Brasília, 24 (AE) - O salário mínimo registrou, em 99, o maior poder médio de compra com relação à cesta básica desde o início do Real. É o que conclui um estudo elaborado pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), que comparou o salário mínimo com o preço da cesta básica calculada pelo Procon-Dieese desde julho de 94 até janeiro de 2000. "No ano passado, essa relação foi a menor dos últimos cinco anos: o valor médio anual da cesta ficou 6% menor em relação à média do salário mínimo", diz o estudo, assinado pelo técnico Eduardo Luis Leão de Sousa.
A constatação a que chegou o estudo da Seae estabelece um contraponto às pressões surgidas no Congresso por um reajuste substancial no valor do salário mínimo - medida que encontra reação no governo por causa de suas repercussões sobre as finanças de Estados e municípios e sobre as contas da Previdência Social. O levantamento mostra que, pelo menos em termos de cesta básica, o valor do mínimo já foi bem menos favorável ao trabalhador.
Em 99, o valor médio do salário mínimo foi de R$ 134,00, enquanto a cesta custou, na média anual, R$ 126,32. O mínimo também ficou maior do que o preço da cesta básica em 98 e 97. Até 96, porém, um mínimo não conseguia comprar uma cesta básica. Em 94, ano do lançamento do real, o mínimo foi de R$ 67,26, na média, contra uma cesta que custou R$ 102,40, na média do ano. Em 95, a cesta estava em R$ 101,93 para um mínimo de R$ 90,00. Em 96, os valores ficaram praticamente empatados: R$ 108,00 do mínimo, para uma cesta de R$ 109,44.
"Nos três primeiros anos após a implantação do real, o reajuste do salário mínimo permitiu que o seu valor ficasse em patamares muito próximos do custo da cesta básica vigente no mês desses reajustes", diz o estudo. "O último reajuste, em maio de 1999, permitiu um salário 10% superior ao valor da cesta." Os números só não são mais favoráveis ao governo porque, no fim do ano passado, a inflação registrou uma alta não esperada pelo governo. A cesta básica atingiu R$ 137,36 em dezembro, ultrapassando o salário mínimo, que é de R$ 136,00. O mínimo não perdia para a cesta básica desde abril de 98, segundo o levantamento da Seae.
Em janeiro deste ano a cesta básica ficou em R$ 137,23 - portanto, ainda acima do mínimo. A expectativa do governo é de que o preço dos alimentos baixe ao longo do primeiro trimestre de 2000. "Muitos produtos já começaram a retroagir", comentou Sousa. "Tivemos uma seca prolongada, que deverá atrasar por alguns dias o ingresso da safra." Os principais produtos agrícolas, segundo explicou, deverão começar a ser colhidos em fevereiro. Normalmente, a safra começa no final de janeiro.
A cesta básica do Procon-Dieese, utilizada no estudo, tem a seguinte composição: 5kg de arroz, 1kg de feijão, 5kg de açúcar, 550g de café, 1kg de farinha de trigo, 500g de farinha de mandioca, 1kg de batata, 1kg de cebola, 1kg de alho, 12 ovos, 250g de margarina, 370g de extrato de tomate, 900ml de óleo, 500g de leite em pó, 500g de macarrão, 200g de biscoito maizena, 1 kg de carne de primeira, 1kg de carne de segunda, 1kg de frango, 1kg de salsicha, 1kg de linguiça, 1kg de queijo mussarela.

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