São Paulo, 30 (AE) - Bem aquém da expectativa dos sindicalistas, o novo valor do salário mínimo está, segundo o vice-presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Vaccari Neto, pelo menos R$ 44 abaixo da quantia que o governo deveria pagar aos trabalhadores. "Mesmo com o aumento, o mínimo continua longe de equiparar-se aos US$ 100 prometidos", disse. "Um valor aceitável seria o de R$ 180."
De acordo com Vaccari Neto, não houve em nenhum momento disposição por parte do governo para discutir com as centrais sindicais uma solução que beneficiasse os trabalhadores de forma justa. Conforme cálculos feitos pela CUT, para que o salário mínimo brasileiro se equiparasse à média do valor pago nos demais países do Mercosul, no ano 2000 o trabalhador deveria receber pelo menos R$ 217. "Se o quadro continuar o mesmo, será impossível chegar a essa quantia."
Para o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o anúncio do aumento trouxe apenas mais indignação ao trabalhador brasileiro, já desanimado com o alto índice de desemprego e exatamente na data em que se comemora o Dia do Trabalho. "O aumento é ainda menor do que o pouco que se esperava", afirmou, referindo-se à expectativa de que o mínimo passasse, pelo menos, para R$ 140, como foi cogitado.
Pesquisa - Um estudo desenvolvido pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese)
com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), sobre o salário mínimo no País confirma as decepções dos sindicalistas.
A pesquisa mostra que 48% da população ocupada tem remuneração de, no máximo, dois salários mínimos. Desse total, 69,4% são empregados e 30,6% estão nas categorias de empregadores ou autônomos. Dos que ganham até dois mínimos, apenas 46,4% trabalham no setor formal.
Em comparação com a variação do preço da cesta básica mês a mês desde 1994, o estudo conclui que o salário, na maioria dos meses, esteve abaixo do valor da cesta e, em outro momentos, foi equivalente. A esse dado, soma-se o fato de os itens de alimentação, higiene pessoal e limpeza corresponderem, em média, a 25,7% das necessidades de gasto em um domicílio.

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