Minifúndios são base da economia
O processo de concentração fundiária, comum na maioria dos municípios brasileiros, ainda não atingiu a pequena Entre Rios do Oeste (145 Km ao norte de Foz do Iguaçu), no oeste paranaense. Com menos de uma década de independência administrativa, as terras, que hoje formam o município de dimensões reduzidas, estão divididas entre 406 propriedades agrícolas, 153 delas com até cinco hectares.
Constituído há quase 40 anos (época da inauguração da ponte sobre o Rio São Francisco Verdadeiro), com a colonização feita pelos descendentes de alemães, o modelo está sobrevivendo, em parte, em consequência de programas municipais de apoio ao pequeno produtor rural.
Estamos investindo na zona rural para não termos problemas futuros com o empobrecimento da cidade, justifica o vice-prefeito Reneu Backes. Dos 25 programas municipais de incentivo agrícola, os mais importantes são o de conservação de solo, o de melhoria genética do rebanho suíno, o programa de controle sanitário do gado leiteiro, a diversificação econômica das pequenas propriedades e a renovação da lavoura de mandioca.
O problema da erosão, que parecia cada vez mais ameaçador na década de 80, está controlado com o uso de pás-carregadeiras, patrolas e terraceadores da prefeitura. Quem tem propriedade de até 10 hectares conta com um subsídio de 75% para fazer as obras de conservação do solo.
Para os suinocultores que pretendem melhorar a produtividade do plantel, a prefeitura paga o trabalho do inseminador e arca com o custo de transporte do sêmem, comprado em Santa Catarina. Um outro programa para a pecuária tenta manter e qualificar a produção de leite (4,8 milhões de litros em 1997), importante fonte de renda do município.
Rebanho Para espantar os fantasmas da brucelose e da tuberculose que rondam o rebanho bovino, veterinários bancados pela prefeitura percorrem as propriedades fazendo visitas periódicas e, através de exames regulares, identificar possíveis focos. Até hoje não foi registrado nenhum caso, comemora Arnélio Ardele, secretário de Agricultura.
A fruticultira e as plantações de fumo estão sendo incentivadas como fontes alternativas de renda nas propriedades do município. Para começar, o programa municipal está ajudando na aquisição de mudas e na formação de lavouras sob inovadoras técnicas de plantio.
O produtor que escolher o morango, ganha 50% das mudas e do filme - plástico usado para a proteção do fruto. Se a opção for o abacaxi, as mudas são doadas. As pequisas apontam que o Oeste só produz a sexta parte do consumo destas frutas, lembra Ardele. O fumo - cultura principal de 29 propriedades de Entre Rios - deve ter novo impulso com o apoio dado à técnica da piscina, que inibe o uso do agrotóxico através de uma semente quase esterilizada. É uma lavoura que pode ser pequena e ainda assim rentável, argumenta o secretário de Agricultura.
Mandioca As lavouras de mandioca também devem se transformar, com a aquisição de 6 mil mudas, consideradas mais resistentes. Parte do replantio, que deve gerar 30 mil ramas, será bancada pela prefeitura. A Cassava - fecularia local que processa 240 toneladas por dia - e a Universidade Estadual do Oeste do Paraná também ajudarão na formação das novas plantações.
Na zona urbana, a maior esperança de geração de empregos é a construção de uma estrutura completa para que pequenos industriais possam viabilizar seus negócios. Ser um dos beneficiados por este programa foi a única maneira de poder me estabelecer e crescer no mercado, reconhece Luiz Carlos Chagas, dono de uma pequena metalúrgica que emprega sete pessoas.
Mais quatro plantas industriais estão funcionando sob o regime do programa. Nele, a prefeitura constrói o barracão, compra as máquinas e cede a estrutura a um empresário já estabelecido na cidade. Depois de cinco anos, o beneficiado tem a opção de compra. Este novo parque industrial já está produzindo açucar mascavo, roupas, salgadinhos e estruturas frigoríficas, gerando cerca de 80 empregos diretos.Ney de SouzaMunicípio que hoje tem aproximadamente 3 mil habitantes foi colonizado por descendentes de alemãesLúcio Flávio Moura
Especial para a Folha





