'Minha chance de cura é muito alta', diz estudante
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terça-feira, 05 de fevereiro de 2019
Isabela Fleischmann <br>Reportagem Local 
A estudante de medicina Debora Grion, 24, foi diagnosticada com câncer de tireoide há três anos. A londrinense, que frequenta a UFF (Universidade Federal Fluminense), no Rio de Janeiro, notou os sintomas durante a faculdade. Com os exames sugerindo malignidade em um nódulo, Grion trancou o curso e ficou em Londrina, com a família.
"Minha saúde mental estava ruim, eu estava preocupada, não ia conseguir lidar com a faculdade. O que foi bom, porque eu não teria dado conta", recordou. A estudante explica que, embora o câncer fosse papilífero - solucionável com cirurgia - seu tumor tinha um componente de outro subtipo mais invasivo, que levava à metástase. "Além de cirurgia, tive de fazer radioterapia. Ainda tomo remédio e vou tomar remédio para o resto da vida, mas mesmo assim minha chance de cura é muito alta, de nunca mais voltar", contou.
Para fazer a radioterapia na tireoide, a preparação é via oral. "Você toma esse líquido radioativo e tem que ficar de isolamento. É horrível porque são 48 horas presa em um quarto sem poder falar com ninguém. Colocam a comida por baixo da porta."
Grion recorda que para fazer a radioterapia teve de ficar um mês sem tomar remédios para a tireoide, o que afetou seu quadro emocional. "Dava muito distúrbio de humor. Tive muito ataque de pânico, foi o pior mês da minha vida. Não adiantava tomar antidepressivo e nenhum ansiolítico porque era hormonal. Por mais que eu soubesse racionalmente que tinha cura, foi um processo emocional muito desgastante."
A doença, no entanto, mudou a perspectiva de vida da estudante, que deixou de se cobrar tanto. "Algumas coisas que no grande esquema da vida não têm tanta importância, eu levava muito a sério. Acho que ao mesmo tempo que o câncer teve um caráter pesado, adicionou uma leveza na minha vida nesse sentido."


