Talvez porque a maior luta da humanidade seja a luta contra o tempo, o centenário de um homem é assunto que nunca deixa de atrair atenções. Ontem, no Parque Ouro Branco (Zona Sul de Londrina), Nonato Rodrigo Aroeira comemorou 100 anos de vida e uma descendência de 10 filhos, 21 netos e 14 bisnetos. Quase todos, incluindo os de outra cidade, participariam da festa no final da tarde na casa da família.
Ex-agricultor, ex-cortador de cana, ex-serralheiro, ex-oleiro, Nonato é um entre os milhões de brasileiros que trabalharam a vida toda para garantir o sustento da família. É a duração dessa vida que o diferencia da maioria: ele já ultrapassou em 31,3 anos a expectativa de vida no Brasil, que é de 68,7 anos segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Em relação à média dos homens, calculada em 65,5 anos, Nonato já superou as expectativas em 34,5 anos.
Ainda mais peculiar é encontrar o centenário lúcido, bem-humorado e falante. Suas únicas dificuldades, explica a filha Maria, 58, são para enxergar e ouvir. ''Qual o seu segredo para chegar aos 100 anos?'', pergunta a repórter ao pé do ouvido direito. Diante da cara de dúvida, Maria traduz no outro ouvido: ''Como é que o senhor fez pra durar tanto, pai?!''. Ele responde: ''É sorte. Tem que fazer bastante bondade, ajudar o irmão que precise, e Deus te ajuda pra você viver muito''.
Mas será que não é preciso seguir algumas dicas de longevidade, como praticar esportes? ''O exercício dele foi trabalhar anos e anos na roça'', diz Maria. Evitar bebidas e cigarro? ''Fumei até os anos 80. Minha pinguinha bebo até hoje'', comenta Nonato. E que tal uma dieta especial? ''Ele come arroz, feijão, carne, como todos nós. Hoje (ontem) vai comer tudo que a gente fizer no churrasco: carne de boi, de porco, linguiça'', garante o filho Alcino, 59. Com tanta liberdade, o centenário garante: ''Nunca adoeci''.
Falar da vida de Nonato não é falar sobre fatos que marcaram a história oficial do País e do mundo, por mais que os últimos 100 anos tenham sido marcados por tantas revoluções. Vivendo na roça a maior parte desse tempo, as memórias desse homem são as fazendas de sua Minas Gerais - onde nasceu na cidade Juaema - o casamento com a única mulher e mãe de seus 10 filhos, falecida há 36 anos, e as muitas andanças.
São episódios que não acabam mais e que ele conta com riqueza de detalhes. Com um décimo da idade do bisavô, o estudante Leonardo, 10, garante que não se entedia em escutá-lo. ''Ele é legal, fala muito da vida dele e a gente gosta de ouvir'', diz. E se depender de Nonato, ainda haverá muitas outras histórias. ''Acho que vou até 118 anos'', estabelece.

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