Mindlin defende ampliação do programa bolsa-escola para combater trabalho infantil
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terça-feira, 26 de outubro de 1999
Por Felipe Werneck 
Rio, 27 (AE) - O presidente da Fundação Abrinq pelos Direitos da Criança, Sérgio Mindlin, defendeu hoje a criação de programas de bolsa-escola como forma "mais eficaz" de combate ao trabalho infantil no País. "Emergencialmente, é o melhor mecanismo, porque não adianta só erradicar o trabalho, tem que botar a criança na escola", disse Mindlin, após entregar à direção da Petrobrás-Distribuidora (BR), no Rio, o certificado Empresa Amiga da Criança.
"O governo precisa ampliar esses projetos, até porque o que gasta com bolsa-escola economiza no Ministério da Saúde, com a redução dos problemas decorrentes da exploração infantil". Mindlin citou como exemplo o trabalho do ex-governador de Brasília Cristovam Buarque (PT), que, hoje, administra a organização não-governamental (ONG) Missão Criança. "Além do governo, deve haver um compromisso da sociedade e também um engajamento empresarial".
Segundo o presidente da Abrinq, 1.425 empresas já receberam o certificado entregue hoje à BR. O diploma é conferido àquelas que se comprometem a não utilizar mão-de-obra infantil em seus processos de produção e investem em projetos sociais dedicados à infância e à adolescência. De acordo com ele
o programa, criado em 1995, já beneficiou cerca de 650 mil crianças no País.
Petrobrás - No caso da BR, segunda distribuidora a receber o certificado - a primeira foi a Shell -, houve um compromisso de não comprar álcool e outros produtos de fornecedores que tenham empregados menores de 16 anos. "Espero que esse exemplo tenha um efeito multiplicador e seja seguido por outras empresas", disse o presidente da BR, Luiz Antonio Viana. Renda - Para o presidente da Fundação Abrinq "não existe no País uma consciência sobre o problema do trabalho infantil". "Muitos ainda acham que a criança deve trabalhar na rua", disse. Mindlin estima que a maior concentração desse tipo de trabalho ilegal esteja na faixa de 14 a 16 anos. "As famílias precisam da renda, por isso defendemos também os programas de aprendizagem, que não são proibidos e podem ser remunerados".


