Brasília, 01 (AE) - O ator e diretor Guilherme Fontes poderá ser obrigado a aceitar uma espécie de intervenção de outra produtora, se quiser terminar seu filme "Chatô - O Rei do Brasil". O secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura (MinC), José álvaro Moisés, anunciou hoje que Fontes poderá terminar o filme com recursos próprios, mas só estará autorizado a captar mais dinheiro no mercado financeiro se aceitar a escolha de outra empresa produtora para concluir o projeto.
As duas alternativas foram apresentadas hoje ao produtor-executivo de "Chatô", Júlio Uchôa, já que Fontes não participou da reunião em Brasília. As duas saídas foram anunciadas depois que o MinC recebeu de uma comissão independente uma análise mostrando que Guilherme Fontes, ao contrário de notícias sobre a finalização de alguns minutos de filme, realmente concluiu pouco mais de 90 minutos de "Chatô", que conta parte da história do jornalista Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados.
Segundo o parecer recebido pelo ministro Francisco Weffort, o material apresentado na chamada edição off line "pode ser considerado uma versão completa do longa metragem". Se finalizado em película, diz o parecer, "tem condições de ser exibido em salas e ser lançado comercialmente". Weffort se limitou a dizer que "a solução está feita".
Se Fontes não conseguir dinheiro próprio, terá que recorrer ao mercado por intermédio de uma produtora que a Secretaria do Audiovisual vai escolher depois de consultar a Comissão de Cinema e os investidores do projeto. Apesar da intervenção administrativa, a empresa a ser escolhida teria de respeitar "as concepções de cunho artístico e de criação definidos no projeto original", obviamente ouvindo Guilherme Fontes. Júlio Uchôa disse que o diretor vai se pronunciar até quinta-feira, no Rio, sobre a decisão do Ministério da Cultura.
Nota - Em nota distribuída hoje, o ministério diz que tomou conhecimento de que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) fez inspeção no projeto de "Chatô" e vai instaurar inquérito administrativo para apurar "possíveis" irregularidades. O Ministério da Cultura deu 90 dias de prazo para apresentação final de contas. Júlio Uchôa disse que primeiro Guilherme Fontes provou que o filme existe e agora vai provar que as contas estão em dia.
José álvaro Moisés afirmou que as duas alternativas para a finalização do filme é o que as leis de incentivo à cultura permitem fazer. "É importante ressaltar que o filme existe e que esta alternativa permite que a concepção artística seja respeitada", disse Moisés. "A empresa a ser escolhida terá que trabalhar em consonância com Guilherme".
Uchôa disse que os advogados de Guilherme Fontes irão analisar as alternativas apresentadas pelo MinC, mas não deixou claro se irão recorrer contra a decisão. O produtor-executivo também não disse que alternativa poderá ser escolhida, mas comentou que está gostando de toda a repercussão que a não finalização do filme dentro dos prazos está ganhando na mídia.
Segundo Uchôa, Guilherme Fontes pretende finalizar "Chatô" no Nordeste, na região Sul e no Rio de Janeiro, com cenas de época. Uchôa ensaiou algumas críticas ao MinC, sobre suposto distanciamento com a "indústria do cinema". Ao sair da reunião com o secretário do Audiovisual, no entanto, fez vários elogios à decisão do ministério em permitir que o filme seja realizado, mesmo descumprindo os prazos de entrega da película.

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