Belo Horizonte, 22 (AE) - Minas Gerais lançou hoje o Program Bolsa-Escola, tornando-se o primeiro Estado do País, depois do Distrito Federal, a instituir a complementação de renda para que famílias carentes possam manter suas crianças estudando. A meta do governo de Minas é começar a distribuição do auxílio no início do segundo semestre letivo.
De acordo com o secretário estadual de Educação, Murílio Hingel, ainda não está definido o número de crianças atendidas nem o de cidades conveniadas na primeira etapa do programa. A idéia é começar a adoção da Bolsa-Escola pelas regiões mais pobres, como o Vale do Jequitinhonha, no norte do Estado. "Em quatro anos, queremos que o programa funcione em todo o Estado." O valor da bolsa poderá variar entre meio e um salário mínimo, dependendo das necessidades da família beneficiada. O recurso, liberado para estudantes de 7 a 14 anos, será entregue à mãe do aluno. "Elas são mais zelosas para cuidar do dinheiro extra", argumentou Hingel. As bolsas serão pagas com recursos de um fundo criado para este fim.
Hingel quer propor ao governo federal que o valor gasto com o auxílio seja deduzido da dívida mobiliária do Estado. A discussão sobre a renegociação da dívida levou o governador Itamar Franco (PMDB) a decretar moratória, em janeiro, e é o motivo de conflito com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Acho essa proposta simpática e bastante exequível", afirmou o secretário. Além dos recursos provenientes do caixa estadual, o governo espera contar com a contribuição das prefeituras envolvidas e também com repasses de organizações internacionais.
Segurança alimentar - O Programa Bolsa-Escola já funciona com sucesso em várias capitais, como Belo Horizonte e Porto Alegre. Além do governo de Minas, o do Rio Grande do Sul já anunciou que também pretende instituir o programa. Na solenidade de lançamento do programa em Minas, Itamar Franco instituiu também o Conselho de Segurança Alimentar. A solenidade contou com a presença de Dom Mauro Morelli, coordenador do conselho.

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