Milton Seligman vai presidir o Incra
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quarta-feira, 28 de maio de 1997
Edson Luiz, da Agência Estado, de Brasília 
Arquivo/FolhaDiálogoSeligman, em foto do arquivo, conversando com os índios. Agora, seu diálogo vai ser com os sem-terraO secretário-executivo do Ministério da Justiça, Milton Seligman, é o novo presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Ele assume as novas funções no dia 9 de junho. Seu nome foi anunciado oficialmente ontem pelo ministro Extraordinário de Política Fundiária, Raul Jungmann. Considerado um dos melhores interlocutores do governo nas negociações com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Seligman substitui Nestor Fetter, que continuará no Incra, em outra função.
Gaúcho, 42 anos, Seligman sempre esteve ligado a movimentos populares e progressistas, e se fortaleceu no governo quando assumiu interinamente o Ministério da Justiça, em substituição a Nelson Jobim, indicado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foi ele o responsável pela pauta da audiência que o MST manteve com o presidente Fernando Henrique Cardoso, durante a marcha dos sem-terra a Brasília.
Minha atuação será pautada em sete pontos, anuncia Seligman, explicando que não pretende fazer grandes mudanças na estrutura do Incra. Uma de suas principais metas é descentralizar as ações do Instituto, repassando tarefas para Estados e municípios. É uma forma de emancipar os projetos de assentamento. Outra meta é atuar em conjunto com o Ministério da Agricultura fortalecendo a política de agricultura familiar.
Após a posse do senador Iris Rezende no Ministério da Justiça, o nome de Seligman começou a ser disputado por outros setores do governo. O primeiro foi o ministro da Educação, Paulo Renato de Souza, que chamou Milton Seligman para sua assessoria, mas quem acabou levando foi Raul Jungmann. Seligman passa a ocupar uma função essencial e delicada, já que a reforma agrária é um dos grandes problemas do governo Fernando Henrique Cardoso.
O ministro de Política Fundiária anunciou também a criação do Núcleo Agrário de Pesquisa e Desenvolvimento, que tentará encontrar novos caminhos para a política de reforma agrária.


