Milosevic não se curvará, anuncia Bielo-Rússia
Belgrado, 14 (AE-REUTERS) - A Iugoslávia não irá permitir sob nenhuma circunstância a presença de tropas estrangeiras em Kosovo e qualquer futuros observadores civis terão de vir de países não membros da Otan, informou hoje (14) a Bielo-Rússia.
O presidente bielo-russo, Alexander Lukashenko, afirmou a repórteres que havia perguntado ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, se era possível qualquer compromisso no confronto de Belgrado com o Ocidente.
A recusa de Milosevic em permitir tropas estrangeiras na província para proteger sua maioria étnica albanesa é um dos principais obstáculos que levaram aos ataques aéreos da Otan.
"Ele me deu o limite máximo além do qual ele e seu povo não podem ir... A Iugoslávia está pronta para aceitar observadores civis das Nações Unidas ou representantes de outros países. Observadores civis, não equipes do exército ou da polícia", disse Lukashenko.
"Esses representantes têm de ser de países que não estão envolvidos nos recentes bombardeios da Otan à Iugoslávia... Temos de ter em mente que esta é a posição final da Iugoslávia".
Milosevic aparecendo diante de jornalistas estrangeiros pela primeira vez desde que tiveram início os ataques da Otan, estava ao lado de Lukashenko, que perguntou em russo ao líder iugoslavo no fim de sua declaração se ele tinha apresentado corretamente a posição.
"Assumo que sim", respondeu Milosevic através de um tradutor, enrubecendo ligeiramente.
Milosevic, não mostrando sinais de estresse depois de três semanas de bombardeios da Otan a seu país, havia falado sobre Kosovo minutos antes sem referir-se à questão da presença militar estrangeira na província.
Ele criticou duramente a Otan, dizendo que era irônico que a aliança buscava preservar sua credibilidade matando pessoas.
Um mestre em táticas nos anos de negociações com o Ocidente durante conflitos com a Croácia e então a Bósnia, o líder iugoslavo raramente faz declarações públicas sobre pontos específicos de política.
Milosevic reiterou sua visão geral de que uma resolução do conflito com os separatistas albaneses étnicos em Kosovo deve garantir a integridade territorial da Iugoslávia e da Sérvia com direitos iguais para todos os grupos étnicos da província.
Milosevic, buscando aliados em seu confronto com o Ocidente, espera unir-se a uma frágil união entre os irmãos eslavos ortodoxos Bielo-Rússia e sua muito vizinha maior Rússia, mesmo que a Iugoslávia não tenha fronteira comum com esses países.
Lukashenko recebeu bem o pedido de Milosevic, mas disse que embora a Bielo-Rússia queira ter laços políticos próximos com a Iugoslávia, seu país não poderia ajudar Belgrado militarmente.
A Rússia também aceitou bem a idéia, mas não deu indicações de quando a aliança seria efetivamente formada.





