Milosevic está ganhando a guerra de mídia Do correspondente GILLES LAPOUGE
Paris, 01 (AE) - Há uma concordância universal quanto ao fracasso da guerra aérea da Otan. Mas, neste 1º de abril, juntaram-se ao painel já sombrio outros negrumes: na especialidade americana que é a guerra de mídia, o abominável Slobodan Milosevic tem marcado pontos dia após dia.
Seu primeiro êxito foi a destruição desse avião maravilha de todos os tempos, o aparelho furtivo tão belo quanto um morcego, que, apesar de ser anunciado como indetectável, foi abatido na Sérvia. Uma proeza não apenas militar, mas um feito sobretudo publicitário. A foto das duas camponesas sérvias dançando sobre uma asa do avião invisível e morto passará para a posteridade.
Agora, tudo melhorará ainda mais para os sérvios com a captura de três americanos. E, como se isso não bastasse, enquanto todas as emissoras de rádio e TV anunciavam que os líderes dos autonomistas de Kosovo haviam sido mortos ou feridos pelós bárbaros sérvios, principalmente aqueles que negociaram em Rambouillet, eis que seus "cadáveres" foram reencontrados falando.
O líder moderado dos albaneses de Kosovo, Ibrahim Rugova, que pranteávamos havia três dias, ressurgiu inesperadamente em casa, em Pristina, onde se encontra com a família, tranquilo e dirigindo apelos à Otan para que cesse seus ataques.
É verdade que Rugova se encontra sob a guarda dos sérvios. Mas sempre pregou a negociação em vez da guerra. Não foi morto, nem mesmo ferido.
É nesse sentido que Milosevic, dito "terrível", maneja brilhantemente a mídia. Apresentando um avião furtivo abatido e três americanos prisioneiros declarando ao mundo que a Otan não é essa máquina invencível que acredita ser; e retirando Rugova do túmulo em que os ocidentais pretendiam que estivesse enterrado, o tirano de Belgrado mostra que as informações divulgadas pela Otan são mentirosas.





