Belgrado, 17 (AE-AP) - Valorizando a "luta pela sobrevivência
liberdade e independência" dos sérvios, o presidente iugoslavo Slobodan Milosevic incendiou seus partidários na convenção do Partido Socialista nesta quinta-feira (17), a primeira desde que a intervenção da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) deixou o país dividido e isolado.
Enquanto Milosevic tentava passar a imagem de uma Iugoslávia forte e estável sob sua liderança e seus assessores denunciavam os Estados Unidos com palavras duras, os oponentes diziam não haver nada para comemorar.
Milhares de partidários socialistas - tremulando bandeiras e cantando "Slobo, Slobo" - foram levados de ônibus desde o centro da Sérvia, fortaleza de Milosevic, para uma sessão em frente ao prédio onde foi realizada a convenção. Muitos receberam folga em seus locais de trabalho.
Dentro do edifício, mais de 2.000 delegados e convidados compareceram à conferência, a quarta desde que os socialistas de Milosevic mudaram-se do antigo Partido Comunista em 1990. A esposa de Milosevic, Mirjana Markovic, líder de um partido neo-comunista aliado, compareceu à convenção.
Milosevic, candidato único, foi reeleito presidente do partido com apenas um voto inválido. Não houve grandes mudanças nem substituições nas fileiras do partido durante o evento.
Milosevic, fazendo uma rara aparição pública, disse à audiência que seu partido "esteve à frente na luta pela sobrevivência, liberdade e independência" da dominação ocidental.
Os socialistas "conseguiram vencer a batalha", disse Milosevic para ser aplaudido em pé pelo público.
A oposição acusa Milosevic e seu partido de transformar a Sérvia, república dominante na Iugoslávia - também formada por Montenegro -, em pária devido às quatro guerras que o presidente iniciou nos Bálcãs. A oposição exige a renúncia de Milosevic.

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