Cascavel A Associação de Praças do Exército Brasileiro (APEB), criada em julho de 2000, está atendendo cada vez mais militares em busca de Justiça em casos de reajuste salarial e contestação de punições recebidas. ''Só no Paraná são mais de 110 ações impetradas por militares na Justiça Federal, a maior parte delas reivindicando reajustes salariais'', declarou o advogado da APEB, Carlos Alberto Tanuri Mendes.
Esta semana, o Tribunal Regional Federal da 4 Região (Porto Alegre) confirmou uma sentença da Justiça Federal de Londrina suspendendo a punição de 30 dias de detenção contra um sargento de um Batalhão de Infantaria Motorizado do Paraná. O sargento foi punido porque denunciou abusos de superiores.
Segundo o advogado Mendes, a busca dos militares pelos seus direitos surgiu em 1991, depois que o presidente Fernando Collor reajustou o salário dos oficiais com índices diferentes. ''Os generais receberam 38% de aumento, enquanto os soldados receberam somente 3%. Esta diferenciação é considerada irregular perante a lei, pois o reajuste deve ser igual para todas as graduações, mesmo que o soldo varie conforme o cargo ocupado'', argumentou.
Para os praças (militares que estão entre as graduações de soldado e subtenente) a APEB oferece garantia jurídica e convênios com psicólogos, farmácias e até universidades. De acordo com o presidente da regional da APEB no Paraná, o 3º sargento aposentado da 15º Brigada de Infantaria Motorizada (BIMtz) de Cascavel, Paulo Camiliano Alves Correa, o objetivo maior da associação é modificar as leis que regem o Regimento Disciplinar do Exército (RDE), ''promovendo mais justiça entre as graduações, tanto nos salários, quanto na forma de punição''. ''Estamos ansiosos em saber o que vai acontecer em relação ao reajuste salarial do ano passado, no qual os comandantes receberam 28% de aumento e os praças, 12%. Além disso, queremos acabar com a perseguição sofrida pelos praças dentro dos quartéis'', afirmou.
Correa acredita que a formação do oficial é o que está comprometendo as relações dentro das tropas. ''Os praças vão buscar a Justiça porque estão sofrendo preconceito por parte de seus comandantes. Qualquer atitude tomada por eles é punida pelos oficiais e dessa forma, eles acabam isolados dos demais companheiros'', reclamou o presidente da APEB, reforçando o fato de que a associação auxilia os militares, enquanto esse deveria ser o papel do próprio Exército. ''Casos de perseguições de altos oficiais a pracinhas podem custar promoções e causar dificuldades financeiras futuras aos perseguidos'', informou.

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