Washington, 01 (AE-ANSA) - Depois de enviar pára-quedistas a Kosovo sem aviso, os militares russos voltaram a surpreender a Otan, desta vez com o vôo de dois bombardeios no círculo polar ártico, deixando mais uma vez sem resposta a pergunta sobre até que ponto o Kremlin controla suas forças armadas.
Os dois bombardeios foram avistados nos céus da Islândia, país membro da Otan, por aviões de combate americanos que os seguiram enquanto sobrevoavam o país.
Outros dois bombardeiros chegaram até as costas da Noruega (outro membro da aliança), mas inverteram sua rota quando uma patrulha de caças da aviação de Oslo foi a seu encontro.
Segundo o jornal Washington Post, os aviões russos haviam chegado até um ponto em que os Estados Unidos conseguem atingir com seus mísseis de longa distância.
"Os russos quiseram demonstrar que não temem a Otan e que também dispõem de mísseis", afirmou Stephen Blank, especialista do Colégio de Guerra do Exército dos EUA.
As duas incursões aéreas, reveladas hoje pelo Washington Post
foram confirmadas nas capitais da Islândia e da Noruega, mas os porta-vozes governamentais dos países envolvidos buscaram minimizar a questão, da mesma forma como fizeram quando os soldados russos entraram primeiro em Pristina.
"Estamos examinando o ocorrido", disse um porta-voz da Casa Branca. "Mas até agora não pedimos explicações à Rússia", completou.
O Kremlin afirmou que o segundo episódio ocorreu em "espaço aéreo internacional" e não nos céus da Noruega.
As incursões russas, que estavam sendo mantidas em segredo, ocorreram na última sexta-feira.
Há cinco dias, forças militares russas realizam, ao redor do Polo Norte, seus maiores exercícios de guerra desde a dissolução da União Soviética, com 50.000 soldados, trinta naves, quatro submarinos e dezenas de aviões.
Quatro bombardeiros, dois deles do tipo que a Otan chama de "Bear" e dois da classe "Blackjack", decolaram à meia-noite da base aérea de Engels, nos arredores de Moscou. Os "Black" se dirigiram à Noruega, onde evitaram o contato com aviões da aliança.
Os "Bears" se aproximaram da Islândia, onde F-15s da força aérea americana, destacados de uma base da Otan em Keflavik, os alcançaram, recriando o cenário imaginado pelo escritor Tom Clancy, que em um romance iniciou a terceira guerra mundial nessa cidade islandesa.
Segundo uma agência de notícias russa, os "Bers", que têm ampla autonomia de vôo, estavam realizando uma missão de quinze horas, sobrevoando o Polo Norte e disparando mísseis cruzeiro contra alvos localizados em um polígono russo.
Segundo especialistas americanos, a aproximação dos aparelhos ao espaço aéreo islandês pode ter sido acidental, mas pode ter sido também um gesto de desafio deliberado.
Por via das dúvidas, a Otan enviou aviões e submarinos ao círculo polar ártico para observar as forças russas. O comandante da aviação russa, general Anatoli Kornukov, desmentiu que os exercícios militares tenham sido decididos como uma reação à guerra de Kosovo.
Segundo ele, "já era tempo de avaliar as condições do Exército e da marinha, sua capacidade de mobilização e combate. Nada mais, nada menos".

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