Militares querem definição para a PF
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segunda-feira, 07 de junho de 1999
Por Tânia Monteiro, Edson Luiz e Gerson Camarotti 
Brasília, 08 (AE) - As áreas militar e de inteligência do governo federal esperam que o presidente Fernando Henrique Cardoso decida, ainda esta semana, o nome do novo diretor-geral da Polícia Federal. Eles estão indignados com o constrangimento a que está sendo submetido o chefe da Casa Militar, general Alberto Cardoso, por causa do confronto explícito entre a área que comanda e a PF. Outra preocupação é com a possibilidade de o general vir a ser acareado com um subordinado seu, o chefe da agência de inteligência, no Rio de Janeiro. Na sexta-feira o ministro do Exército, general Gleuber Vieira, divulgou nota em apoio irrestrito ao general Cardoso.
O ato de nomeação de Wantuir Jacine, diretor-geral interino
para a direção da PF está pronto para ser assinado pelo presidente Fernando Henrique, no Palácio do Planalto, há 40 dias. Isso quer dizer, dizem colaboradores lotados no Planalto, que o presidente não quer esse nome pois já sabe dos problemas que poderiam surgir ao manter uma pessoa que já respondeu a processos e aliada ao antecessor, Vicente Chelotti.
Para a área militar, o delegado Zulmar Pimentel, um evangélico da velha guarda da PF, é o nome ideal. É um profissional competente e da chamada linha dura. Começou sua carreira como agente, em 1975, tornando-se delegado em 1982, justamente no regime militar. Por ser fechado, tem poucos relacionamentos na instituição.
Além disso, pesa contra ele o fato de não ter sido chefe em nenhuma área por onde passou, a superintendência da PF no Rio de Janeiro e a Divisão de Crime Organizado e Inquéritos Especiais (Decoie). Além disso, foi o responsável pelo inquérito de irregularidades no Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), no qual foram indiciados vários delegados, e tem estreita ligações com o Ministério Público Federal.
Jacine continua sendo o nome preferido dos delegados ligados ao sindicato da categoria e ex-assessores de Chelotti. Mesmo tendo respondido a sindicâncias no passado, um fato que está sendo levantado novamente dentro do governo, e que está impedindo sua continuação na PF, é considerado um policial operacional de qualidade.
Como Jacine, o delegado Marcelo Itagiba, hoje lotado na Agência Nacional de Vigilância Sanitária, é visto com bons olhos dentro da PF, mas sua ligação com o ministro da Saúde, José Serra, torna-o candidato do PSDB ao cargo, reivindicado pelo PMDB. Poliglota, com excelentes ligações em outros ministérios, Palácio do Planalto e área internacional, Itagiba gostaria de ter sido o Coordenador Central Policial (CCP) na gestão de Chelotti, mas foi preterido pelo ex-diretor, que preferiu Jacine.
Este foi o motivo pelo qual Itagiba deixou a PF, ficando à disposição do Ministério da Saúde. Mesmo sendo rejeitado por Chelotti, manteve a amizade com o ex-diretor. Segundo um delegado, o motivo de não ter sido o escolhido para a CCP, o caminho natural para se chegar à direção da PF, foi que Itagiba não é operacional, mas especializado em inteligência, área que comandou dentro da PF por vários anos.
Hoje, o líder do governo na Câmara, deputado Arthur Virgílio Neto(PSDB-AM), disse que "há uma certa inquietação no meio militar e já começa a haver manifestação a favor do general Cardoso". "É grave acarear um general com um subordinado seu e isso não agrada nada a caserna", avisou o líder.
Na área militar, há uma preocupação com o eventual desenrolar dessa situação, embora todos tenham pressa para que haja uma definição. Os oficiais temem que o presidente tome uma decisão política, já que se estabeleceu uma nova guerra entre PSDB e PMDB, na disputa pelo cargo. O entendimento é que, embora Fernando Henrique sempre demonstre total confiança e apoio ao general Cardoso, a escolha recaia por um nome, como o de Wantuir Jacine, que representa a corrente do ex-diretor da PF Vicente Chelotti, que declarou guerra ao chefe da Casa Militar, a partir da criação da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad).
Os oficiais insistem que a escolha do nome do diretor da PF não lhes diz respeito, mas preferem que a opção do presidente seja por um nome neutro, que não atenda ao grupo de Chelotti. Eles também rejeitam Marcelo Itajiba, assessor do ministro da Saúde, José Serra, que tem ligações do PSDB, porque acham que a disputa interna não cessaria.


