Lima, 14 (AE-ANSA) - Cansado e faminto, Oscar Ramírez Durand, mais conhecido como Camarada Feliciano, líder máximo da guerrilha Sendero Luminoso, não resistiu ao cerco mantido contra ele por mais de 1,5 mil militares peruanos num povoado do Departamento (província) de Junín, centro do Peru. Ele foi capturado nesta madrugada, numa operação descrita pelo presidente peruano, Alberto Fujimori, como o "tiro de misericórdia" que deve sepultar definitivamente o grupo maoísta
que começou a luta armada contra o governo no início da década de 80.
A operação que resultou na captura do líder guerrilheiro tinha sido iniciada, de acordo com fontes militares, havia 40 dias e recebeu o codinome de Operação Cerco. Dela participaram militares da Marinha, do Exército, da Aeronáutica e da Polícia Nacional, que caçaram Feliciano e seus seguidores em meio à selva, por rios e pelo ar. Convencido a transformar a captura num evento de marketing político, Fujimori assumiu o comando da operação quando a prisão do líder era iminente, na ontem à tarde.
Inesperadamente, o presidente abandonou a capital, Lima, e partiu para a região de Junín. Ali, sobrevoou a área do cerco num avião militar antes de, em uniforme de campanha, liderar uma reunião com os comandantes militares locais na capital do departamento, Huancayo.
Mas a operação quase resultou num fiasco. Após horas de rumores sobre a captura do guerrilheiro, Fujimori anunciou que Feliciano tinha escapado do cerco mergulhando num rio e embrenhando-se na selva. O presidente, contudo, prognosticou que o líder rebelde - um homem de 46 anos, manco por causa de um antigo ferimento de bala e portador de uma rara doença de pele conhecida popularmente como lepra amazônica - seria preso nas horas seguintes.
"Essa ocasião marca o início do fim do Sendero Luminoso", disse Fujimori hoje de manhã, quando finalmente anunciou a prisão de Feliciano. "O grupo está agora sem liderança, embora ainda haja resíduos", assinalou, acrescentando que não há certeza sobre se os membros remanescentes do grupo ainda têm capacidade militar para lançar atentados. "O que interessa é que uma cabeça foi cortada; uma cabeça tão importante quanto a de Abimael Guzmán", afirmou o presidente, referindo-se ao ideólogo, fundador e líder do Sendero Luminoso, capturado pelos militares em 1992.
"O maior significado dessa captura foi que ela se deu sem que um único tiro fosse disparado, respeitando-se todos os direitos humanos, não só dos prisioneiros como também de nossos compatriotas", disse Fujimori, em alusão à decisão peruana, tomada na semana passada, de não acatar os termos da Corte Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos, os quais, veladamente, Lima considerou favoráveis aos movimentos subversivos.
Feliciano foi levado para a capital peruana logo depois da prisão. Ele será mantido numa prisão de segurança máxima até que seja julgado por subversão e, quase seguramente, sentenciado à prisão perpétua. Além dele, foram presas na mesma operação as senderistas Olga, Rita e Rachel.

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