Brasília, 07 (AE) - O Ministério da Justiça foi informado que, em 99, 30 militares do Exército no Rio de Janeiro abandonaram seus cargos para trabalhar para o narcotráfico. A informação, transmitida pelo próprio governo fluminense, é considerada "gravíssima" por autoridades dos Serviços de Inteligência do governo federal. O Ministério da Justiça pretende criar, ainda este ano, forças-tarefa para combater o tráfico no Rio, experiência que depois deve ser estendida a São Paulo.
Segundo as informações que o Ministério da Justiça recebeu, estão abandonando o Exército principalmente pára-quedistas e cabos. Não há informações sobre cooptação de oficiais de alta patente. Apenas neste ano o governo do Rio começou a fazer um levantamento mais preciso sobre o assunto, pois até então não se associavam as baixas no Exército com a adesão às organizações criminosas.
Autoridades do Serviço de Inteligência do governo disseram que o fato é considerado gravíssimo, porque vários militares menos graduados têm cursos de formação na área de guerra, com ensinamentos sobre manuseio de armas e munição, estratégia e logística para combate em terra. A avaliação é de que estes profissionais fortalecem o narcotráfico com as técnicas militares.
O Serviço de Inteligência do próprio Exército não dispõe de muitas informações sobre isso. Hoje o Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomcex) informou que o Serviço de Inteligência não vinha acompanhando o problema, pois a questão seria de competência direta do Exército se os militares envolvidos com narcotráfico não tivessem abandonado a Força.
Um oficial da área de Informação do Exército afirma que o problema é "social". Segundo ele, um cabo do Exército ganha entre R$ 600,00 e R$ 800,00 por mês, dependendo dos cursos e do tempo de serviço. O narcotráfico, segundo relatório confidencial do Serviço de Inteligência da Polícia Militar do Rio (PM-2) está pagando salários de até R$ 30 mil por mês para homens de confiança de traficantes. Um segurança ganha R$ 3 mil.
Avaliação - O Ministério da Justiça e o governo do Rio estudam formas de combate ao narcotráfico no Estado. A partir desses estudos serão definidas formas conjuntas de atuação, envolvendo as Polícias Federal, Rodoviária Federal, Civil e Militar. "A idéia é criarmos forças-tarefa para combater o narcotráfico", disse o ministro da Justiça, Renan Calheiros. Estas forças-tarefa deverão combater também as quadrilhas que estão assaltando bancos no Rio, uma das maiores preocupações do governador Anthony Garotinho (PDT).
O sistema de forças-tarefa deverá se espalhar para o restante do País se o resultado for positivo no Rio. O Ministério da Justiça pretende adotar sistema semelhante em São Paulo, onde há também uma expansão de organizações de narcotraficantes, segundo o estudo da PM-2 fluminense. A reportagem tentou hoje ouvir o secretário de Segurança do Rio, Josias Quintal, sobre a questão, mas ele não respondeu às ligações.

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