Brasília, 08 (AE) - O Ministério da Defesa vai preparar um documento técnico a partir desta semana com as principais reivindicações das Forças Armadas para ser encaminhadas ao presidente Fernando Henrique Cardoso. A Aeronáutica já apresentou parte dos seus pedidos na sexta-feira, durante reunião dos comandantes das três Forças com o ministro da Defesa
Élcio álvares. Mas o assunto só começará a ser discutido efetivamente, em uma nova reunião marcada para esta semana. Na reunião de sexta, o ministro aproveitou para reiterar a necessidade de união das três Forças e traçar planos para o futuro como a reativação do Projeto Calha Norte.
álvares explicou que os almoços entre o ministro da Defesa e os comandantes militares têm sido uma rotina, desde a criação do Ministério. Na sexta, no entanto, foi realizado o primeiro encontro com o novo comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Baptista. Também foi a primeira reunião conjunta depois da crise militar de dezembro, que resultou na demissão do brigadeiro Walter Br„uer.
O ministro da Defesa fez questão de tratar a crise na Aeronáutica como "página virada". Ele disse que preferiu discutir, por exemplo, os novos projetos de comunicação para o ministério. O brigadeiro Baptista também preferiu considerar a crise uma questão "ultrapassada". "Não tem crise", assegurou ele. "Ninguém está querendo crise no Brasil, muito menos os militares muito menos."
Comunicação - Na quinta-feira, Élcio reuniu-se com o secretário de Governo, Andrea Matarazzo para tratar da divulgação dos trabalhos desenvolvidos pelas três armas. "As Forças Armadas devem comunicar-se mais com o público externo", observou. Segundo ele, os militares começarão a pensar mais na Amazônia, em projetos de integração do Ministério da Defesa brasileiro com o de outros países e também com o reaparelhamento das forças, que considera uma necessidade.
"O ano passado foi atípico, porque foi de implantação do ministério", explicou álvares. "Agora, é um ano de ação e vamos começar com mudanças na comunicação."
A proposta apresentada pela Aeronáutica prevê um desembolso imediato de US$ 400 milhões dos US$ 2,2 bilhões do programa de reequipamento preparado para um período de 10 a 12 anos. Mas, de imediato, a arma quer US$ 270 milhões para compra de peças de reposição de aviões, já que os estoques estão em níveis considerados mínimos, em muitos equipamentos essenciais. A Marinha e o Exército já estão com seus projetos de reequipamento em andamento, embora boa parte dos recursos esteja contingenciada.

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