Paris, 24 (AE) - Um grupo de antigos pára-quedistas do Exército belga, membros do Esquadrão de Reconhecimento, unidade de elite encarregada em tempo de guerra de operações de infiltração e sabotagem, é o principal suspeito de ter praticado o chamado "assalto do século" - o roubo de 100 milhões de francos franceses (cerca de US$ 15 milhões) na sede da Brinks de Luxemburgo, uma semana atrás.
Esse grupo teria sido dirigido por um ex-membro da seita Ordem do Templo Solar, a mesma que, liderada pelo guru Luc Louret, foi responsável por dois suícidios coletivos, na Suíça e no Canadá.
Trata-se de um comando de seis homens, todos ex-seguranças da própria transportadora de fundos - portanto, conhecedores desse verdadeiro bunker onde se encontravam depositadas as sacolas de dinheiro que deveriam ser distribuídas para numerosas agências bancárias de Luxemburgo. As suspeitas aumentaram porque nenhum desses ex-funcionários pôde ser localizado pela polícia nos últimos dias.
Só um comando altamente treinado e informado poderia praticar um golpe tão audacioso. Seus integrantes passaram despercebidos por seis portas blindadas, protegidas por códigos secretos regularmente alterados. Eles estavam bem informados, pois, na segunda-feira da semana passada, uma grande quantia havia sido concentrada nos cofres do bunker da Brinks para ser distribuída para numerosas agências desse paraíso bancário europeu.
Os membros do comando agiram exatamente às 4h45, informados de que, das 4h48 até as 5h02 - portanto, num espaço de apenas 14 minutos -, o cofre central seria desbloqueado para que o dinheiro pudesse ser retirado.
O comando teve êxito na operação e o dinheiro foi transportado num veículo utilitário Renault, licenciado na França, encontrado horas depois na fronteira francesa com Luxemburgo. Ele ainda estava com as sacolas de plástico totalmente vazias em seu interior. O chefe do grupo de vigias da Brinks, um homem de 48 anos, cujo nome vem sendo mantido em sigilo, foi o responsável pela contratação dos demais supostos membros do comando, muito provavelmente já como parte do plano de preparar o grande assalto.
Ele é um amigo de infância de Luc Jouret, o antigo guru da Ordem do Templo Solar, e ambos participaram da "Operação Kowelsi", uma ação militar dos pára-quedistas belgas que se desenvolveu em 1978, no antigo Congo belga. A Interpol e as polícias nacionais européias estão mobilizadas para tentar capturar os integrantes desse comando já identificados.
Acredita-se que seus integrantes tenham-se espalhado após repartirem o dinheiro, podendo ter fugido para países africanos que conhecem bem e mesmo para a América Latina, incluindo o Brasil.

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