Dubai, 20 (AE-AP) - Alguns altos líderes militares do Irã têm culpado o presidente moderado, Mohammad Khatami, pelos piores distúrbios ocorridos no país em 20 anos. Além disso, eles também alertaram o presidente de que a paciência com a sua agenda reformista estava acabando. "Nossa paciência está no fim. Não sentimos que é nosso dever mostrar mais tolerância", afirmou a elite militar numa carta enviada ao presidente Khatami em 12 de julho - quando os protestos pró-democracia no país atingiram seu auge - e publicada ontem (19) pelo jornal conservador Kayhan. A carta foi assinada por 24 altos membros da Guarda Revolucionária, incluindo os comandantes para terra, mar e forças armadas. A ameaça dos militares pode explicar porque Khatami, que tem como discurso garantir mais liberdade ao povo iraniano, endossou as ações de repressão da ala conservadora. A Guarda Revolucionária possui 350 mil homens e representa um dos centros de poder no Irã. Trata-se de uma força ideológica comprometida com o clero islâmico. Também os líderes estudantis divulgaram seu próprio alerta nesta terça-feira (20), dizendo que sua paciência com os conservadores que bloqueiam as reformas estava acabando. "Se as autoridades não respoderem de acordo com este enorme clamor pelas reformas, a porta para as negociações pacíficas será fechada", afirmou Ali Afshari numa conferência de imprensa na capital Teerã. "Poderemos ser a última geração que acredita no recurso da paz", concluiu Afshari.

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