Militares brasileiros se preparam para impor a paz em Timor
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de setembro de 1999
Por CLáUDIA DIANNI 
Brasília, 15 (AE) - Antes de enviar ao Timor Leste a tropa da Polícia do Exército, o Brasil terá de esperar a confirmação da Austrália e das Nações Unidas. Enquanto isso, os 50 oficiais do Batalhão de Brasília, cuja maior patente será de capitão, escolhidos para participar da missão multinacional de imposição de paz, estão se preparando para viajar.
De acordo com o Ministério do Exército, a tropa terá de estar pronta na sexta-feira, independentemente de quanto tempo demore a ratificação da ONU e a aprovação do Congresso. Hoje, eles começaram a ser vacinados e a preparar os passaportes. Na escolha dos soldados, foi dada prioridade aos voluntários e aos que falam inglês.
A tropa vai embarcar em um avião da Força área Brasileira (FAB) e todos estarão munidos de fuzis 763 ou 556, modelos padrões utilizados pelo Exército Brasileito, conhecido como FAL (fuzil automático leve).
Tanto a Diplomacia quanto a Defesa brasileiras esperam receber carta branca para enviar a tropa que colocou à disposição. A expectativa da diplomacia brasileira é de que o Brasil fará uma "excelente" campanha no Timor, como disse uma fonte do Itamaraty.
Segundo essa fonte, o Brasil recebeu cumprimentos por ter sido o primeiro país a colocar homens à disposição e poderá integrar o Estado Maior da Força Multinacional, ou seja, fazer parte do comando da operação de imposição de paz.
Caso integre a elite da tropa, serão escolhidos os cinco oficiais que estavam na Unamet, em Dili, e foram retirados na semana passada junto com os outros integrantes da ONU. Eles estão em Darwin, na Austrália e deverão juntar-se à tropa brasileira, cuja a data de embarque ainda não foi definida.
Outro país que também ofereceu tropas foi a Itália, que, assim como o Brasil, também tem motivos para fazer uma boa campanha e esperar que os resultados colaborem na pavimentação do caminho para uma possível vaga no Conselho Permanente de Segurança das Nações Unidas, quando este for reformado.
Outros países consultados preferiram colaborar com recursos ou com logística. A áfrica do Sul, Alemanha, Japão e Rússia negaram-se a enviar tropas, os Estados Unidos vão colaborar apenas com logística, a França deverá colaborar com 500 homens e navios e a Inglaterra deve enviar 250 homens.
A maior surpresa até agora é Portugal, que ainda não confirmou participação na força multinacional e só deverá enviar tropas quando for constituída a missão de Paz da ONU, o que poderá demorar meses.
A disposição do Brasil, a princípio, era de enviar um contigente de cerca de 200 homens, mas as expectativas foram minguando frente à realidade da falta de recursos, já que em casos de missão multinacional, como é o atual, cada país arca com suas próprias despesas.
O envio de tropas não foi a única opção oferecida ao Brasil, que também poderia contribuir com logística, mas optou por enviar homens armados. De acordo com fontes dimplomáticas, é quase certo que a Austrália, se aceitar a ajuda, vai arcar com despesas de transporte e manutenção da tropa brasileira, o que paga boa parte dos custos.
Além de colaborar com as tropas, o Brasil já prepara ajuda técnica ao Timor Leste, para quando a crise for superada. Segundo o Itamaraty, estão sendo treinados pessoal para ajudar na formação de quadros para administração pública em Timor, para educação, agricultura e sáude.


