Militar diz que reabertura do caso Riocentro joga pedra no passado
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de junho de 1999
Por Tânia Monteiro 
Brasília, 11 (AE) - A principal reação à reabertura do caso Riocentro veio hoje do general Luciano Casales, chefe do Comando de Operações Terrestres (Coter), que, depois de lembrar que o fato aconteceu há 18 anos, fez um apelo: "Parem de jogar pedras no passado". Na opinião do general Casales, "é dever" da Justiça Militar reabrir o caso mas o melhor seria que se pensasse no futuro. Ele não acredita na reação da tropa à decisão da Justiça Militar - "a tropa não quer saber disso" - e lembrou que como são legalistas, cumprem as determinações. Hoje o ministro da Defesa, Élcio álvares, afirmou que a conjuntura das Forças Armadas é outra e que os militares se pautam pela legalidade, cumprindo as determinações da Justiça.
O comandante Militar do Nordeste, general Joélcio de Campos Silveira, afirmou que a tropa, na sua região, não está preocupada com este assunto. "Lá no Nordeste ninguém toma conta desse assunto", completou. O comandante da Aeronáutica, brigadeiro Walter Brauer, embora ressalte que não conhece o assunto Riocentro, considera "uma incógnita" o que poderá acontecer por causa dessa decisão. "Deixem as coisas acontecerem", acrescentou ele.
O comandante do Exército, general Gleuber Vieira, a quem caberá instaurar um novo inquérito para reabrir o caso Riocentro
está em viagem oficial para fora do País. Em entrevista ao jornal "O Estado de S.Paulo", no mês passado, ele disse que a tentativa de reabrir o inquérito que apurou a explosão da bomba no Riocentro "inquieta os militares". "Inquieta na medida em que nós não vemos reciprocidade no abandono de ressentimentos e discordâncias", disse ele, ao acentuar que reavivar fatos como o Riocentro não traz benefícios a ninguém.
Na época, o ministro assegurou, que qualquer decisão que fosse tomada pelo Ministério Público seria rigorosamente cumprida pelo Exército, sem questionamentos. "Nós nunca pensamos em pedir reabertura de inquérito envolvendo personalidades da vida nacional de hoje que, no passado, estiveram envolvidos em assalto a bancos, sequestros, assassinatos e em atos de terrorismos", declarou à época, o general Gleuber.


