Militar diz que aviões da FAB podem estar transportando drogas
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quarta-feira, 05 de maio de 1999
Agência Folha 
Em depoimento de quatro horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Narcotráfico, o tenente-coronel da Aeronáutica, Paulo Sérgio Pereira de Oliveira, afirmou que é possível que aviões da Força Aérea Brasileira (FAB) estejam sendo usados para transportar drogas do Brasil para a Europa.
Oliveira é o único militar preso após a descoberta, em 19 de abril, de 32,9 kg de cocaína em avião da FAB que saíra do Rio de Janeiro com destino à França, onde iria buscar peças de um caça Mirage. A droga estava em duas malas que Oliveira havia entregue à tripulação na Base Aérea do Galeão e foi descoberta quando o avião fez escala em Recife.
O destino das malas com cocaína eram as Ilhas Canárias (Espanha), onde o avião faria escala para reabastecer antes de seguir para a França. Oliveira afirmou que a tripulação do Hércules C-130 desconhecia o conteúdo das malas e que é prática comum pilotos da FAB transportarem malas e pacotes de colegas sem saber o que está dentro.
Hoje a CPI ouve o ministro Walter Brauer (Aeronáutica) para saber quais medidas estão sendo tomadas para evitar que episódios como esse voltem a ocorrer. O tenente-coronel negou que soubesse que as malas carregavam cocaína. A droga seria recebida em Las Palmas (Ilhas Canárias) pelo irmão de Oliveira, Luiz César, e por Roberto Zau. Ambos estão foragidos.
Segundo Oliveira, ele entregou as malas à tripulação para fazer um favor a um amigo, o tenente-coronel da reserva da Aeronáutica Washington Vieira da Silva, que também está foragido e é suspeito de participar de uma quadrilha internacional de narcotráfico.
Segundo Oliveira, Luiz César se divide entre Niterói (RJ), onde trabalha em casa noturna, e Las Palmas, onde atua como free-lance. Lá, conheceu e ficou amigo de Roberto Zau.
Em 14 de abril - cinco dias antes de a droga ser embarcada no avião da FAB - os dois saíram do Rio de Janeiro em vôo comercial com destino à Portugal, de onde seguiram para Las Palmas. Oliveira diz que acreditava que a mala estava com comidas típicas porque ele mesmo teria ajudado um amigo de Washington - o policial civil Adilson Nunes, também foragido - a fazer as compras na véspera.


