Rio, 04 (AE) - A tradicional Rua da Assembléia mudou de nome. Pelo menos para militantes de esquerda que colaram sobre as placas da rua adesivos com a inscrição "Alameda Marighella". O ato foi uma homenagem ao dirigente da organização guerrilheira Ação Libertadora Nacional (ALN), Carlos Marighella, morto em São Paulo, há 30 anos, numa emboscada da polícia, em São Paulo.
A Rua da Assembléia foi escolhida para homenagear Marighella por ele ter sido deputado constituinte em 1946, no prédio em que hoje funciona a Assembléia Legislativa. Cerca de 40 militantes de esquerda estiveram no ato, entre eles o atual subsecretário estadual de Trabalho, Jaime Cardoso, que pertenceu à organização Var-Palmares e o dirigente do PT, Antônio Neiva, ex-Ala Vermelha.
Os guardas municipais que assistiram à "mudança" de placas não intervieram. Uma homem que passava pelo local chegou a perguntar a que cargo Marighella estava se candidatando. "É preciso resgatar a história desse País", afirmou o professor de sociologia e dirigente estadual do PT, Washington Siqueira. "Meus alunos não conhecem os verdadeiros heróis do País."
Marighella participou da Intentona Comunista de 1935. Eleito deputado federal, pedeu o mandato em 1947, quando o Partido Comunista Brasileiro (PCB) foi posto na ilegalidade. Em 1967, aos 56 anos, ele fundou a ALN e partiu para a luta armada. Marighela foi assassinado por policiais liderados pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, numa emboscada na Alameda Casa Branca, nos Jardins, na noite de 4 de novembro de 1969. Em 1996, a União reconheceu sua responsabilidade na morte do líder comunista.

mockup