Rio, 06 (AE) - Um grupo de dez militantes políticos decidiu pôr em prática, nas eleições municipais deste ano, uma inusitada tese acadêmica: o mandato cooperativo. Na prática, eles vão se candidatar a uma única vaga na Câmara dos Vereadores do Rio pelo PV. Se eleitos, exercerão em conjunto o mandato, lançando mão da Internet para promover suas reuniões e chamar os eleitores a participar de um plenário virtual. O nome do candidato já foi definido: é o cybervereador.
"Trata-se da primeira experiência em democracia digital do País", garante o estudante de Ciências Sociais Marco Fonseca, idealizador do projeto que, na verdade, é a sua monografia de final de curso na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj). Como a legislação eleitoral não permite, evidentemente, que várias pessoas sejam eleitas para uma mesma vaga, a candidatura será registrada como cybervereador e, caso seja escolhida pelas urnas, terá Fonseca como seu representante físico na Câmara. Ou seja, quem participará das votações e das discussões na Casa será o estudante.
Ele, porém, estará ali representando o seu grupo, que se reunirá via Internet para discutir projetos e deliberar como será o voto de Fonseca. Os "subvereadores" vão participar de chats nos quais qualquer internauta poderá entrar e dar sua opinião - só não terão direito a voto, reservado aos dez parlamentares virtuais. O grupo já criou um software que será distribuído aos interessados - o Cidade Inteligente - no qual já estão incluídos os serviços de correio eletrônico com os integrantes do grupo e o chat.
"Tem gente que diz que a Internet é elitista, mas vamos ser mais abertos e democráticos do que qualquer partido, porque as pessoas que realmente discutem e decidem nos partidos cabem num Fusca", disse Fonseca. Para ele, esse sistema vai permitir que grupos minoritários possam chegar ao Legislativo. "Os custos de uma campanha, que hoje, no Rio, chegam a R$ 100 mil no mínimo, vão ser rateados dentro do grupo, o que barateia o acesso", disse.
O cybervereador, formado por sociólogos, artistas e analistas de sistemas na faixa etária entre 30 e 40 anos, já definiu seu primeiro projeto, caso eleito: a criação de um fundo municipal para financiar a instalação de terminais de computador ligados à Internet em escolas, onde estariam à disposição do público.