Londrina - ''A impunidade chega a 99,9% com quem mata travestis e a maioria dos inquéritos é arquivada. Isso é um absurdo'', protestou em entrevista à FOLHA Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT). Segundo ele, a ''situação calamitosa'' já foi denunciada à Anistia Internacional, ao Ministério da Justiça e à Secretaria de Direitos Humanos. Conforme Reis, muitos são mortos em terrenos baldios e BRs e os assassinos não são identificados porque a maioria das pessoas não se propõe a testemunhar e a família não busca justiça.
A presidente do Transgrupo Marcela Prado - Associação de Travestis e Transexuais de Curitiba, Carla Amaral, também critica a falta de esforço policial para investigar os casos. Ela considera que a Polícia trata com descaso quando uma trans é morta. ''Por causa do preconceito, não deve fazer esforço algum para solucionar o caso'', disse. ''Se já sou discriminada quando preciso do serviço policial, imagina depois de morta.''
De acordo com Carla, na maioria das vezes as vítimas são migrantes de outros Estados e municípios e são encontradas sem documento. ''Muitas já foram enterradas como indigentes. Mas se a polícia se dedicasse mais às investigações, isso não seria comum.''(A.V.)

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