Militante que denunciou esquadrão da morte é assassinado no interior de Goiás
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 08 de fevereiro de 2000
Por Edson Luiz 
Brasília, 08 (AE) - O conselheiro comunitário de segurança pública de águas Lindas de Goiás, João Elízio Lima Pessoa, foi assassinado com dois tiros na noite de segunda-feira (07), quando voltava para casa com a mulher, que ficou ferida. João Elízio foi uma das pessoas que denunciaram na Comissão de Direitos Humanos da Câmara a existência do esquadrão da morte no entorno de Brasília, supostamente integrado por policiais. O conselheiro também seria chamado para depor na CPI do Narcotráfico.
Segundo o deputado Nilmário Miranda (PT-MG), presidente da Comissão de Direitos Humanos, João Elízio fez as primeiras denúncias contra organizações criminosas no entorno de Brasília no ano passado. "Ele era um militante comunitário e atuante defensor dos direitos humanos nos municípios goianos de águas Lindas e Santo Antônio do Descoberto, no entorno", afirmou Miranda.
Nas denúncias feitas à comissão, Elízio chegou a fazer um dossiê mostrando a atuação dos grupos de extermínio, que matavam
extorquiam, torturavam e cometiam outras arbitrariedades na região do entorno. Nas última semanas, a comissão realizou uma investigação e levantou a possibilidade de que pelo menos 100 pessoas foram assassinadas em várias cidades do entorno.
A comissão de Direitos Humanos da Câmara entregou as denúncias de João Elízio para o Ministério da Justiça. Segundo Nilmário Miranda, foi pedida segurança para Elízio e para o jornalista Valter Melo, proprietário do jornal "O Descoberto", além de Carmen Lúcia do Amaral, presidente do Conselho Comunitário de águas Lindas de Goiás. "Os tr$s vinham recebendo ameaças de morte", afirmou o deputado.
Segundo Nilmário, João Elízio, Valter Melo e Carmen seriam convocados para depor na Comissão de Direitos Humanos. Elízio também seria convidado a falar na CPI do Narcotráfico, para confirmar as denúncias sobre o crime organizado. "Perdemos uma importante testemunha", disse Nilmário.
O caso foi levado por Nilmário ao secretário nacional dos Direitos Humanos, José Gregori, a quem o deputado pediu a intervenção da Polícia Federal na apuração do assassinato do líder comunitário. O governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB)
esteve hoje em águas Lindas de Goiás e deverá designar um delegado especial para apurar a morte de João Elízio.


