Militante decide posar nua e divide opiniões
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de agosto de 1997
Agência Folha São Paulo 
A musaDébora, ao lado de Diolinda de Souza, líder do MST no PontaO Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) não quer vinculação de sua imagem com as fotos que a sem-terra Débora Cristina de Moura Rodrigues, 29, fará para uma revista masculina. Segundo Gilmar Mauro, da coordenação nacional do MST, há uma cláusula no contrato de Débora que veta o uso de símbolos do movimento.
O diretor de redação da Playboy, Ricardo Setti, que convidou Débora para posar nua, nega que a exigência exista, mas afirmou que a revista não pretende fazer qualquer alusão ao assunto. A locação vai ser urbana. Não esconderemos que ela é do movimento, mas não faremos nenhuma referência, disse.
Lideranças do MST afirmam que a decisão sobre as fotos é pessoal. Isso não tem nada a ver com o MST. Ela não é uma liderança e o movimento é formado por pessoas, não por anjos. A direção não discutiu nem vai discutir esse assunto, declarou Mauro.
De acordo com ele, apesar de essa ser a opinião de toda a direção do MST, o assunto é polêmico e existe a possibilidade de que Débora seja punida no acampamento em que ela passa parte de seu tempo. Se lá no Pontal do Paranapanema (SP) eles quiserem, poderão expulsá-la. Mas não vejo motivo para isso.
Débora duvida que possa ser punida. O movimento é maior do que isso. Sua preocupação é a reforma agrária. Vou continuar atuando como antes, disse ela, que já participou de invasões. Na opinião do líder José Rainha Júnior, seria um absurdo se algo acontecesse com a sem-terra por causa das fotos. Ele afirma não ser um consumidor frequente da revista, mas confessa: Nesse caso, por curiosidade, vou ver sim. Débora receberá um cachê de R$ 20 mil pelas fotos.


