Militância sem partidos cresce na Argentina
Buenos Aires, 14 (AE-IPS) - Enquanto os partidos tradicionais da Argentina atravessam a pior crise de credibilidade de sua história, cresce no país a presença das organizações não governamentais (ONGs). Pesquisa recente mostra que 3,5 milhões de argentinos participam das 40 mil ONGs atualmente e que só 13% dos jovens argentinos se identificam com algum partido tradicional.
Pesquisa da empresa de consultoria Demoskopia informa que o afastamento do Estado de suas funções tradicionais de assistência, somado ao descrédito com que os partidos são vistos
transformaram as ONGs em uma alternativa de participação dos jovens. A psicóloga Nilda Pérez, que entrevista por dia dez jovens voluntários para a organização Rede Solidária, explica que eles procuram ajudar idosos, com quem jogam baralho ou xadrez, ou mesmo trabalhar com crianças pobres como voluntários.
Para a Demoskopia esse tipo de participação, além de crescer a cada dia, cada vez mais agrupa voluntários de todas as idades. Sebastián Lavesolo, 19 anos, por exemplo, é um dos 50 membros da Rede Solidária, cujo trabalho básico é formar líderes para atividades comunitárias. "Não acredito em partidos e tampouco nas coisas que defendem", explica Lavesolo. "Trabalho motivado pela ação social, não pelo partido ou religião", diz.
Pablo Bergel, ecologista, que foi militante partidário nos anos 70, hoje também está integrado a uma ONG. "Os partidos são máquinas que disputam espaços eleitorais", critica. Juan Carr, fundador da Rede Solidária, defende o que chama de um movimento social "caótico e sem estrutura" que esteja presente onde uma criança precise de um órgão para transplante ou uma cozinha comunitária tenha dificuldades de funcionar apenas por que falte uma geladeira.
Para ele as ONGs funcionam como promotoras de uma grande transformação para o próximo século. Sonhador, diz que "a globalização futura não será somente econômica mas da solidariedade".





