Dili, Timor Leste, 08 (AE-REUTERS) - As milícias pró-Jacarta organizaram um comício hoje no Timor Leste dizendo que estavam consolidando forças para lutar contra o movimento favorável à independência.
As milícias consideraram o apelo feito esta semana por Xanana Gusmão, líder separatista, como uma declaração de guerra e disseram que lutariam mesmo que o exército indonésio se retirasse do território. Na última segunda-feira, Xanana Gusmão conclamou o povo do Timor Leste a pegar em armas para lutar contra o domínio de Jacarta. Entretanto, o líder separatista em prisão domiciliar negou ontem o convite à insurreição e disse que as forças pró- independência ajudariam os timorenses a se defender.
O comício em Maliana, base das milícias, ocorreu dois dias depois do suposto massacre ocorrido em Liquisa, no qual as forças pró-Jacarta teriam matado dezenas pessoas numa ataque à uma igreja. O líder espiritual do Timor Leste, bispo Carlos Belo, confirmou ontem a morte de 25 pessoas.
O porta-voz das milícias, Basilio Araujo, afirmou que 15 mil pessoas participaram do encontro, incluindo 2 mil homens armados. Os números não puderam ser confirmados por fontes independentes.
Maliana, a 65 quilômetros de Dili, é o centro de todas as milícias pró-Jacarta no território disputado, e perto da fronteira com o Timor Oeste.
Numa declaração, as milícias afirmaram que estavam reorganizando e consolidando sua força e poder, preparando-se para "enfrentar a guerra declarada por Xanana".
"Estamos prontos para pedir ao exército indonésio que se retire para que o mundo possa ver que ainda somos capazes de defender a bandeira vermelha e branca (indonésia) no Timor Leste", teria dito o comandante da milícia Eurico Guterres durante o comício.
As esperanças de paz parecem mais distantes. Um oficial de Jacarta declarou que as conversações intermediadas pelas Nações Unidas com Portugal, antigo poder colonial do território, acerca do futuro status do Timor Leste, marcadas para 13 e 14 de abril, foram adiadas por razões técnicas.
O encontro do dia 22 de abril em Nova York, entre o ministro das Relações Exteriores da Indonésia, Ali Alatas, e representantes do governo de Portugal, foi confirmado por um oficial do governo.
O ministro português das Relações Exteriores, Jaime Gama, pediu hoje à União Européia que condene o suposto massacre de segunda-feira.
"Nós expressamos à União Européia a gravidade do que ocorreu no Timor Leste nos últimos dias, e estamos esperando por uma iniciativa do governo alemão", disse ele em Luxemburgo, onde participava de um encontro extraordinário sobre Kosovo.

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