Dili, 15 (AE-AP) - Em meio a casas queimadas, tiros esporádicos continuavam a ecoar nesta quarta-feira (15) na capital do Timor Leste, embora a violenta milícia pró-Jacarta dê sinais de que está se retirando da cidade devido à iminente chegada das forças internacionais de paz da ONU. Nas montanhas, milhares de refugiado aguardam desesperadamente pelo lançamento de alimentos e ajuda de emergência, o que deve começar nesta quinta-feira (16). "Dili está vazia agora. Há apenas fantasmas do massacre", disse hoje (15) o líder do movimento separatista do Timor Leste, José Alexandre Xanana Gusmão. Ele continua refugiado na embaixada britânica, em Jacarta, onde deverá permanecer até que sua volta à Dili possa ser feita em segurança. A chegada do primeiro batalhão das forças internacionais de paz é esperada para os próximos dias. O Conselho de Segurança da ONU aprovou o envio de uma força de paz de cerca de 7 mil homens. Fontes militares indonésios não identificadas confirmaram à imprensa que muitos grupos milicianos já deixaram Dili em direção ao Timor Oeste - território controlado por Jacarta. Há fortes evidêncais de que os militares apoiaram ativamente as milícias antiindependência, acusadas pelos massacres e incêndios criminosos deflagrados na capiral após o anúncio do resultado do referendo de 30 de agosto - que decidiu pela independência da ex-colônia portuguesa, anexada à força pela Indonésia em 1975. Estima-se que 300 mil pessoas tenham deixados suas casas ou a província desde o início da onda de violência. Centenas e, talvez, milhares de partidários da independência do Timor Leste podem ter sido assassinados nesse período. Em Jacarta, o governo indonésio deu hoje sua aprovação à decisão de confiar à Austrália o comando das forças de paz da ONU para o Timor Leste. "A Indonésia dá as boas-vindas à decisão porque fundamentalmente não é inimigo de nenhum outro país", disse o ministro das Informações, Yunus Yosfiah. "Com base num informe provisório do chanceler Ali Alatas ao presidente Habibie, a Austrália comandará a força força internacional, enquanto que o vice-comando caberá à Malásia", declarou.

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