Dili, 26 (AE-ANSA) - Além de continuar campanha de violência em Timor Leste, incendiando cidades e vilas abandonadas por timorenses em pânico, as milícias pró-Indonésia estão preparando ampla ofensiva contra as forças internacionais de paz da ONU (Interfet), informou neste domingo (26) a agência Ansa, citando a imprensa indonésia.
Ainda segundo a agência, milhares de milicianos estão se agrupando em torno de Dili, a capital de Timor Leste, para atacar os capacetes azuis.
A Ansa destaca que não pode confirmar as denúncias, mas acrescenta que os rumores causaram grande preocupação aos comandantes da Interfet, que teriam posto as tropas em alerta geral.
Os pedidos da Interfet aos guerrilheiros para que deponham armas não foram atendidos. Quando as tropas da ONU desembarcaram no início da semana passada, os milicianos retiraram-se das grandes cidades do território, mas não demonstraram a menor intenção de atender aos apelos do comandante da força internacional, o general australiano Peter Cosgrave, em favor do desarmamento. "Os pedidos caíram no vazio", comentou um porta-voz da ONU em Dili, referindo-se aos vôos de reconhecimento realizados pela aviação da Interfet.
As milícias contrárias à independência do território, reivindicada em plebiscito pela maioria esmagadora dos timorenses, prossegue a campanha de devastação e terra arrasada.
Imensos rolos de fumaça saíam hoje de cidades e vilas do interior de Timor Leste. Usando helicópteros, observadores da Interfet constataram que as cidades de Balibo e Oquessi estão semi-destruídas, enquanto Suai ficou completamente arrasada.
O porta-voz da Interfet, David Wirnhurst, acrescentou que as cidades de Dilor, Los Palos e Manatuto foram "retiradas do mapa". A situação é um pouco melhor em Baucau, seguda maior cidade do território depois de Dili. "A vida parece ter voltado ao normal nessa cidade", destacou o porta-voz. "Mas seus subúrbios estão praticamente desertos."
Antes de deixar Baucau, na sexta-feira, os soldados indonésios assasinaram seis civis, denunciou o bispo católico da cidade, dom Basílio do Nascimento. Nessa cidade, os capacetes azuis encontraram num quartel da polícia negativos de fotografias de corpos de pessoas torturadas e mutiladas.
Por força de acordo, as tropas indonésias (que ocuparam o Timor, ex-colônia portuguesa, em 1975) estão se retirando do território, mas deixam rastros de sangue, saques e destruição. Os milicianos contrários à independência recebem delas aberto apoio logístico.
As organizações humanitárias, por sua vez, continuam enfrentando grandes dificuldades para ajudar os timorenses que fugiram da violência. Pelo menos metade dos 800 mil habitantes de Timor Leste abandonou suas casas. Desse total, 150 mil estão em Timor Oeste e os demais embrenharam-se nas montanhas e florestas tropicais da ilha. As organizações humanitárias estimam que muitos dos fugitivos morreram de fome ou foram assassinados pelos milicianos.

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