Moscou, 26 (AE-AP) - Milicianos chechenos pró-Rússia tomaram hoje (26) a estratégica Praça Minutka, a poucos minutos do centro de Grozny, a capital da Chechênia, informou a agência de notícias Interfax, citando seus correspondentes no QG russo instalado na periferia daquela cidade. Segundo a agência, a capitulação dos rebeldes ali ocorrerá dentro de quatro ou cinco dias. Mais otimista, a rede de televisão moscovita ORT que mantém uma equipe de repórteres e cinegrafistas na região, assegurou que a bandeira tricolor russa será hasteada nesta segunda feira em Grozny. "Não estamos com pressa, mas vocês verão logo nossa bandeira tremulando ali", disse o general Viktor Kazabtsev, comandante das forças russas na Chechênia, que ordenou no sábado o início da operação de ocupação da cidade.
"Topamos com feroz resistência dos rebeldes, mas conseguimos expulsá-los dali", disse o comandante da milícia Bislan Gantamirov. "Estamos agora recebendo apoio das forças federais (Exército russo)."
Gantamirov montou seu QG num dos maiores edifícios da praça, conhecido como Dom Pechati. Nesse mesmo local, cem pára-quedistas russos teriam morrido há 15 dias em malograda tentativa de chegar ao centro administrativo de Grozny. O Kremlin nega categoricamente essa versão divulgada pelo comandante rebelde Isa Munayev. A Praça Minutka foi palco também de feroz combate entre russos e chechenos no dia 31 de dezembro de 1994. Os russos sofreram pesadas baixas e tiveram de adotar humilhante retirada. Por isso, a cautela é hoje uma constante em todas as ações russas.
Entre 2 mil e 5 mil guerrilheiros combatem na cidade. Eles defendem pontos estratégicos e quando se retiram deixam vastas áreas minadas. Gantamirov comanda cerca de 800 milicianos.
Os EUA condenaram hoje a ofensiva sobre Grozny. Um porta-voz da Casa Branca disse que a opção militar não vai resolver o problema, provocando, ao contrário, novo banho de sangue. Ele lembrou que permanecem em Grozny pelo menos 15 mil civis quase sem comida e com pouca lenha para enfrentar o rigoroso inverno. Os russos recusam-se a dialogar com os "terroristas" que, segundo afirmam, estão agora encurralados em Grozny e nas montanhas que a circundam.
No Vaticano, o papa João Paulo II pediu o fim do conflito na Chechênia. "Nestes dias, quando o clima de Natal convida as pessoas a irmanar-se, devemos orar pelos que vivem em meio ao sofrimento."

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