Milicianos armados cercam avião sequestrado
KANDAHAR, Afeganistão, 30 (AE-AP) - Cerca de 20 soldados do Taleban - movimento que controla a maior parte do Afeganistão - começaram a rodear nesta quarta-feira (30) com dois caminhões armados de lança-granadas e projéteis antiaéreos o Airbus da Indian Airlines sequestrado há uma semana e parado no aeroporto de Kandahar, no sul do país. Eles estão vestidos com roupas militares em vez das túnicas normalmente usadas pelos guardas locais.
As autoridades afegãs negaram que tenham planos de invadir o avião para libertar os 154 ou 155 passageiros e tripulantes mantidos como reféns, mas sua ação elevou a tensão no local, principalmente porque os negociadores indianos não chegaram hoje a um acordo com os extremistas. O número de reféns é dúbio pelo fato de as autoridades ainda não saberem se os terroristas são cinco ou seis.
O envio do contingente armado pode ser só uma forma de pressionar a Índia para que chegue logo a um acordo, já que o Taleban ameaça forçar a partida do Airbus se o impasse persistir. Os afegãos também advertiram os captores de que invadirão o Airbus se eles maltratarem os reféns. Os sequestradores exigem a libertação de 35 militantes caxemires presos na Índia e do líder religioso Maulana Masud Azhar. Do contrário, ameaçam explodir o avião.
"Hoje foi um dia atarefado para ambas as partes, um dia promissor. As conversações estão indo bem, mas não posso dar detalhes", disse o chanceler taleban, Abdul Wakil Muttawakil.
"Nossa principal dificuldade é o que ocorrerá na hipótese de a Índia libertar os prisioneiros. Para onde eles e os sequestradores irão?"
Muttawakil revelou que seu governo está consultando a ONU, diplomatas estrangeiros e as autoridades indianas.
Em Nova Délhi, o governo negou que os captores tenham fixado novo prazo-limite para uma resposta às suas exigências. Um dos membros da equipe de negociadores indianos enviada a Kandahar desmentiu com firmeza que as duas partes estejam discutindo quantos prisioneiros serão soltos. "Nós não estamos falando de números. Estamos tratando de assuntos gerais", disse, sob a condição de anonimato.
O Airbus foi tomado pelos extremistas quando se dirigia de Katmandu, no Nepal, para Nova Délhi, na Índia, levando 189 pessoas. Fez paradas nos aeroportos de Amirtsar, no norte indiano, e de Lahore, no Paquistão, bem como numa base militar perto de Dubai, nos Emirados árabes Unidos, onde os sequestradores libertaram 27 pessoas - a maioria mulheres e crianças - e entregaram o corpo de um passageiro que mataram a facadas. O aparelho foi levado para Kandahar no sábado e, desde então, somente um refém foi solto, um homem diabético que passava mal.
Hoje, os extremistas permitiram que o passageiro indiano Samon Barara, de 30 anos, doente de câncer no estômago, fosse levado de ambulância a um hospital da cidade para receber tratamento emergencial. Depois de medicado, ele foi obrigado a voltar para o avião, conforme o trato que havia sido feito com seus captores.
Na quarta-feira, os sequestradores desistiram de duas exigências: o pagamento de US$ 200 milhões e a devolução do corpo de um militante caxemir morto em combate contra as tropas indianas. Eles teriam sido dissuadidos pelos talebans a abandonar essas reivindicações.
As autoridades indianas dizem que os terroristas são quatro paquistaneses, um nepalês e um afegão. O serviço secreto da Índia atribui a ação ao grupo Harkat-ul-Mujahedin, que luta pela independência da Caxemria indiana e sua posterior unificação ao Paquistão. O clérigo Azhar, preso em 1994 na Índia, sob a acusação de ser um dos líderes dos guerrilheiros, é ideólogo do Harkat.





