Dili, 17 (AE-AP) - Membros de uma milícia antiindependência dispararam armas militares e de fabricação caseira, queimaram casas de separatistas rivais e saquearam lojas neste sábado (17)
após milhares de pessoas se manifestarem na capital do Timor Leste para demonstrar sua lealdade à Indonésia.
O chefe militar indonésio no Timor Leste, coronel Suhartono Suratman, disse que 12 pessoas morreram em três diferentes focos de violência em Dili.
Residentes ameaçados temiam que o número de mortos fosse maior e que dezenas tivessem se ferido. Eles contaram que gangues perambulavam pelas ruas durante o dia e a noite sem serem paradas por forças uniformizadas que normalmente mantêm a segurança na cidade.
Os membros das gangues, alguns armados com facas, espadas e lanças, usavam bandanas com as cores branca e vermelha na cabeça
as cores nacionais da Indonésia. Outros disparavam tiros para o ar da carroceria de caminhões.
Separatistas acusaram o militarismo indonésio de treinar e armar grupos paramilitares antiindependência para desestabilizar um processo de paz da ONU para o território conturbado, onde as pessoas estão extremamente divididas sobre se permanecem unidas à Indonésia ou rompem com o governo de Jacarta.
A ex-colônia portuguesa foi palco de combates de guerrilha e abusos dos direitos humanos desde que a Indonésia invadiu o território em 1975 e o anexou um ano mais tarde.
Suratman, que repetidas vezes negou as acusações, disse que a situação estava "sob controle" na noite de sábado, pelo horário local. No entanto, ele disse que apenas cinco milicianos foram presos e algumas armas foram confiscadas pela polícia.
A violência veio poucos dias antes de autoridades de Indonésia e Portugal retomarem negociações patrocinadas pela Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York.
Neste sábado, Portugal culpou a Indonésia pelos ataques das milícias antiindependência no Timor Leste. O primeiro-ministro Antonio Guterres disse: "Considero a Indonésia inteiramente responsável, porque o Timor Leste ainda é parte da Indonésia e é a Indonésia quem arma as milícias."

mockup