Arquivo FolhaJustificativaRezende negou ter feito elogios à PM no episódio Eldorado de Carajás O governo pretende confiscar armas e veículos utilizados por milícias de sem-terra e fazendeiros. Na semana passada, o Ministério da Justiça recebeu informações sobre movimentos armados nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Pará. ‘‘É preciso evitar esse conflito desnecessário e de grandes proporções’’, afirmou o ministro da Justiça, Íris Rezende.
A informação obtida pelo governo levou à convocação extraordinária de uma reunião, na semana passada, entre o governo federal e os secretários de Segurança Pública e superintendentes da Polícia Federal de todo o País. Os dirigentes foram informados das intenções do governo de fazer uma operação de desarmamento, mas receberam também a orientação de cumprir os mandados de reintegração de posse, pendentes em diversos Estados.
Íris Rezende negou que tenha dito no encontro que usaria armas e veículos fornecidos por fazendeiros para cumprir os mandados judiciais de reintegração de posse. A afirmação, publicada pela revista ‘‘Veja’’, foi atribuída ao secretário de Sergipe, Wellington Mangueira Marques. ‘‘Houve um equívoco ou má-fé do secretário’’, disse Rezende. ‘‘O que pedi foi o confisco de armas e veículos das milícias que estão surgindo pelo País, de um lado e do outro.’
O secretário de Segurança Pública de Sergipe, Wellington Mangueira Marques (PPS), acusou o ministro da Justiça de incitar o confronto entre trabalhadores sem terra e donos de propriedades. Segundo ele, o ministro convocou todos os secretários estaduais de Segurança Pública a agirem com força policial ‘‘enérgica’’ contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra nas ocupações, durante reunião do dia 16, em Brasília.
No encontro, Rezende chegou a se mostrar arrependido - de acordo com Mangueira Marques - por não ter defendido os policiais do Pará, no ‘‘episódio’’ de Eldorado de Carajás.
O ministro assegurou que não fez qualquer elogio à ação da Polícia Militar no Pará. Em Eldorado de Carajás 19 sem-terra foram mortos. ‘‘Apenas disse que o conflito de Eldorado inibiu os governos a cumprir os mandados de reintegração de posse’’, explicou Rezende. ‘‘Realmente houve um erro de execução de reintegração de posse, por parte da polícia, mas também houve, como todos sabem, a inibição dos secretários e governadores estaduais quanto ao cumprimento dos mandados.’
Nos últimos meses, o governo identificou alguns movimentos armados no Pará, São Paulo, Paraná e Mato Grosso do Sul, justamente nas regiões onde estão concentrados os principais conflitos de terras no País. No Pará, por exemplo, uma das milícias armadas, que atua no sul do Estado, não é formada nem por fazendeiros nem por sem-terra, mas por pistoleiros e madeireiros. ‘‘Eles ameaçam os dois lados e criam um clima de intranquilidade na região’’, disse ontem uma fonte da Polícia Federal, responsável pelo levantamento.
O ministro da Justiça não quis responder ao líder do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), João Pedro Stédile, nem ao presidente do Partido dos Trabalhadores (PT), José Dirceu, que querem sua demissão. ‘‘Eu, como ministro da Justiça, não posso fugir à minha responsabilidade’’, afirmou Rezende. ‘‘Não sou contra nem a favor de sem-terra ou fazendeiros, sou a favor da Justiça e da lei, e não queremos uma guerra no campo.’’

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