''Com certeza, o pessoal que foi lá de madrugada era uma milícia'', afirmou ontem o delegado-adjunto da 18 Subdivisão Policial em Telêmaco Borba, Clóvis Papa. Ele argumentou que o grupo de pelo menos 15 homens fortemente armados que na madrugada do último sábado expulsou 33 famílias ligadas ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de uma área invadida em Ortigueira teria sido contratado para fazer o serviço. Embora tenham sido efetuados quase uma centena de disparos, ninguém saiu ferido.
O delegado comentou que ''a própria Constituição Federal proíbe a formação desses grupos paramilitares'' e apontou que na tarde de sábado sete pessoas foram presas na Fazenda Copramil, a área que era ocupada pelas famílias expulsas, e foram autuadas por porte ilegal de arma e munição, constrangimento ilegal e formação de quadrilha ou bando. Ninguém soube informar quem seriam os responsáveis pela propriedade. Até ontem, o delegado ainda não havia conseguido identificar os proprietários. ''Falaram só que a área pertenceria a dois sócios que moram em Cornélio Procópio'', emendou Papa.
Com os presos, foram apreendidos dois revólveres, uma garrucha, munição de diversos calibres e armas brancas. ''Eles negaram envolvimento e falaram que tinham sido contratados por um 'gato' (agenciador) para limparem o local porque o MST tinha ido embora. Mas é difícil de acreditar nisso porque ainda tinham muitas cápsulas pelo chão e, quando fomos lá a tarde, mantimentos e barracos ainda estavam queimando'', observou o delegado. Para amendrontarem as famílias, os integrantes do bando teriam dito que seriam policiais que iriam cumprir uma ordem de reintegração. O delegado, no entanto, descartou o envolvimento de policiais no episódio.

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