Paulo Pegoraro
Famílias do Reassentamento Santa Bárbara, a 25 quilômetros de Cascavel, estão denunciando a presença na área de milícias armadas, supostamente organizadas por fazendeiros, que, a pretexto de proteger propriedades contra invasão de sem-terra, estão atemorizando os reassentados. Um grupo de representantes das famílias esteve no final da tarde de ontem na 15ª Subdivisão Policial, para registrar queixa e pedir investigação sobre as milícias.
No reassentamento estão 89 famílias que tiveram terras alagadas pelo reservatório da hidrelétrica de Salto Caxias, da Copel, no Rio Iguaçu. O reassentamento compunha a Fazenda Refopas, da qual faz parte uma área de 554 hectares, de propriedade de Maria Elisa Festugatto, que foi ocupada no final de maio por mil famílias de sem-terra. Logo após a ocupação, fazendeiros decidiram organizar vigilância particular em suas propriedades.
As milícias atuariam em proteção às fazendas, mas segundo eles, também circulam pelas estradas. No domingo, agricultores que tiveram problemas em uma estrada com o carro em que estavam - um Volkswagen Fusca - tiveram que sair a pé em busca de socorro, e foram barrados por nove homens, encapuzados e armados com carabinas, que estavam em uma caminhonete F-1000. O grupo armado teria feito ameaças, confundindo os agricultores com sem-terra.
Segundo o reassentado João Medeiros, outras milícias foram vistas, ‘‘atuando principalmente à noite’’, inclusive disparando tiros. Medeiros esteve na 15ª SDP ontem, ao lado de outros reassentados, para fazer a denúncia, que começa a ser investigada pela Polícia. Logo depois da ocupação dos 554 hectares, coordenadores da Comissão Regional dos Atingidos por Barragens do Iguaçu (Crabi), que representa as famílias reassentadas, manifestaram solidariedade aos sem-terra.

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