Varsóvia - Milhões de poloneses esperam febrilmente o Papa João Paulo II esta sexta-feira, na oitava peregrinação à sua terra natal (Cracóvia, Sul da Polônia), que nessa ocasião terá a duração de quatro dias e talvez seja sua última visita, já que seu estado de saúde produz grande preocupação.
Antes de sua chegada, o Sumo Pontífice tirou alguns dias de descanso depois de sua viagem ao continente americano, para preparar sua nova visita a seus compatriotas, que enfrentam uma difícil situação de transformação econômica, em vias de unir-se à União Européia em 2004.
Após sua peregrinação anual do Dia da Ascensão ante a virgem negra de Czestochowa (Sul), milhares de poloneses se mobilizaram para receber o Papa em Cracóvia.
João Paulo II não acompanhará desta vez a peregrinação da virgem de Jasna Gora, a quem são atribuídos numerosos milagres. Sua enfermidade de Parkinson, sua artrite dolorosa e as sequelas do atentado frustrado de 1981 agravaram sensivelmente a saúde deste homem de 82 anos.
Logo que chegar de Roma, na noite de hoje, o Papa irá ao arcebispado de Cracóvia, sua antiga residência, já que ele foi arcebispo ali antes de subir ao trono de São Pedro em 1978.
Amanhã de manhã, João Paulo II consagrará a basílica de Lagiewniki, em um bairro de Cracóvia, à ''Divina Misericórdia''. Esse edifício branco, em forma de navio, tem uma torre de 77 metros de altura, que simboliza a idade do Papa quando ele assinou os planos arquitetônicos do prédio.
À tarde, haverá um momento para a política: o Papa se reunirá separadamente com o presidente polonês Aleksander Kwasniewski e com o primeiro-ministro Leszek Millar. Na pauta da reunião, as perspectivas de entrada da Polônia na UE.
O domingo promete ter uma verdadeira maré humana sobre a esplanada de Blonia. Nesse local, celebrará uma missa. João Paulo II beatificará na ocasião quatro pessoas, uma delas o arcebispo de Varsóvia, Zygmunt Felinski, que morreu em 1895. Esse gesto não estará desprovido de riscos para as relações, atualmente tensas, entre o Vaticano e a Igreja Ortodoxa Russa, que podem piorar. A razão é que Felinski havia introduzido o catolicismo na Rússia e por esse motivo foi deportado para a Sibéria.
João Paulo II também voltará a suas fontes, já que visitará o túmulo de seus pais no cemitério de Rakowicki, em Cracóvia, e a catedral do castelo Wawel, onde foi ordenado sacerdote, no dia 1º de novembro de 1946.

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