Belgrado, 19 (AE-AP) - Cerca de 150 mil pessoas participaram hoje (19) de uma manifestação diante do Parlamento federal em Belgrado, convocada pelo grupo G-17 de economistas independentes para exigir a renúncia do presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a quem eles acusam de ter mergulhado o país em conflitos e provocado sua ruína econômica.
Foi o maior protesto realizado na Sérvia desde 1996, quando milhares de pessoas foram às ruas exigir que o governo reconhecesse a vitória oposicionista em eleições locais em várias cidades-chave. "Slobo, por favor, vá embora", "renuncie" e "você vendeu a Sérvia" eram alguns dos dizeres dos cartazes e faixas carregados pelos manifestantes.
O G-17, apoiado pela influente Igreja Ortodoxa Sérvia, conclamou todos os grupos oposicionistas a unir-se e tomar parte no protesto. Um dos principais dirigentes que se opõem a Milosevic, o líder do Movimento de Renovação da Sérvia, Vuk Draskovic, havia mandado um representante em seu lugar, mas durante a manifestação acabou comparecendo e discursou.
Momentos antes, os organizadores acusaram a polícia de tentar intimidar seus partidários ao alertar para o perigo de ataques a bomba no local. As autoridades chegaram a anunciar ter prendido um homem com um "explosivo de alta potência". Logo no começo da manifestação, uma bomba de gás lacrimogêneo foi atirada por desconhecidos no meio da multidão, provocando corre-corre. Um homem teria sido removido do local, ferido. A informação não foi confirmada pelas autoridades. Durante o protesto, a polícia não reprimiu os populares.
As autoridades adotaram horas antes do protesto uma série de medidas para tentar esvaziá-lo, incluindo uma ordem para o pagamento de pensões atrasadas e um anúncio de que o governo poderia antecipar as eleições gerais, marcadas para 2001. O porta-voz do governista Partido Socialista, Ivica Dacic, disse que há coisas mais importantes a fazer do que realizar eleições, mas o governo "está pronto a convocá-las ainda este ano, se a oposição pedir".
Partidos oposicionistas têm reivindicado a antecipação das eleições, embora temam que Milosevic possa manipular o pleito. Por isso, querem também a instalação de um governo interino para assegurar que a votação seja realizada com lisura.

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