Milhares protestam contra a impunidade
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terça-feira, 17 de abril de 2001
Das Agências 
O Dia Internacional da Luta Pela Terra reuniu, ontem, milhares de sem-terra nas principais cidades brasileiras, em manifestações convocadas pelo Movimento Nacional dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) para protestar contra a impunidade no caso do assassinato de 19 trabalhadores rurais em Eldorado dos Carajás, no Pará, há cinco anos.
Em Belo Horizonte (MG), o coordenador do MST no Estado, Ênio Bonenberger, aproveitou o protesto para avisar aos governos federal e estadual que, nos próximos dias, o movimento deverá iniciar uma série de invasões em Minas Gerais. Segundo Bonenberger, a medida é decorrência do não atendimento de reivindicações da entidade, que há poucos dias promoveu a ocupação da fazenda Renascença, do embaixador do Brasil na Itália, Paulo Tarso Flecha de Lima, em Uruana, noroeste do Estado.
Nossa paciência com o governo acabou, vamos começar a ocupar, afirmou o dirigente, lembrando que o MST tem mapeados 11 milhões de hectares de terras passíveis de reforma agrária em Minas Gerais. As manifestações na capital mineira começaram na Praça da Estação, no centro. Com tarjas pretas nos braços, em sinal de luto pelos mortos de Eldorado dos Carajás, cerca de 100 homens, mulheres e crianças, vindos de diversas regiões do Estado, seguiram em passeata à sede do Tribunal de Justiça de MG, onde fizeram um ato ecumênico na escadaria.
Em Buritis, também em Minas, o ato público reuniu apenas 150 pessoas. A marcha rumo à fazenda Córrego da Ponte, da família do presidente Fernando Henrique Cardoso, não aconteceu. Utilizando pequenos caixões, o MST fez 1 minuto de silêncio para o Poder Judiciário, pela falta de punição pelos responsáveis pelas mortes de 19 sem-terra, em 17 de abril de 1996, em Eldorado dos Carajás (PA).
Em São Paulo (SP), o grupo de manifestantes do MST se concentrou na Avenida Paulista, no vão livre do Masp, para sair em passeata em direção à Praça da Sé, na região central.
No Rio, a manifestaçãofoi em frente ao prédio do Tribunal de Justiça do Estado, onde cerca de 300 sem-terra acenderam velas e ergueram 19 cruzes de madeira com os nomes dos agricultores mortos no confronto com a polícia do Pará.
Uma das maiores concentrações foi registrada em Salvador, na Bahia, onde quatro mil trabalhadores rurais ligados ao MST invadiram o Largo do Pelourinho. Os manifestantes deixaram o Bairro do Retiro, (na periferia da cidade, onde estão acampados) no inicio da manhã, seguindo em direção ao Centro Histórico de Salvador gritando o slogan O povo na rua, Fernando (Henrique Cardoso) a culpa é sua. Chegaram ao Largo do Pelourinho por volta das 11 horas, deixando turistas que circulavam pelo local perplexos e sem entender o que estava acontecendo.
Em Campo Grande (MS), o protesto reuniu cerca de 2 mil sem-terra e houve tentativa de invasão da loja do McDonalds, na Avenida Afonso Pena. A ação foi impedida pela polícia.


