Maceió, 15 (AE) - Milhares de peixes apareceram mortos hoje pela manhã às margens da Lagoa Mundaú, na periferia de Maceió e no município de Coqueiro Seco, a 29 quilômetros da capital. Em protesto, pescadores interditaram uma via de acesso a lagoa. As autoridades não divulgaram as causas da mortandade. Amostras da água e dos peixes foram colhidas por técnicos do Instituto do Meio Ambiente (IMA) para realização de exames. O resultado do laudo deverá ser entregue até o final da semana.
Os pescadores acusam as usinas de açúcar de despejarem vinhaça (subproduto da cana) nos rios que desaguam na lagoa. Revoltados, pescadores e moradores da beira lagoa interditaram a principal pista do bairro Dique Estrada, com canoas, barcos, pneus, caixotes e peixes podres. No início da tarde, os pescadores foram convocados para uma reunião com representantes do IMA, Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) e prefeitura de Maceió, e desobstruíram a pista. Eles cobram providências dos governos estadual e municipal.
Cestas - Segundo o presidente da Federação dos Pescadores de Alagoas, Benedito Roque da Costa, a curto prazo, foi solicitada a distribuição de cestas básicas para 3.500 famílias atingidas pela mortandade de peixes. Além disso, os pescadores exigiram que fosse realizada obras para despoluição do complexo lagunar.
Para o engenheiro de pesca do Ibama em Alagoas, José Paulino Moraes, essa mortandade de peixes foi provocada por gás sulfídrico que comprometeu a oxigenação da água. Isso teria ocorrido quando os resíduos sólidos do fundo da lagoa foram removidos pelas águas das chuvas que caíram em Maceió no último final de semana. "Chegamos a essa conclusão pelo odor forte que exalava na lagoa, durante a inspeção que realizamos", disse.

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