Denize Ziober, diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul: em busca de soluções para locais que já registram longas filas nos horários de pico
Denize Ziober, diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul: em busca de soluções para locais que já registram longas filas nos horários de pico | Foto: Gustavo Carneiro


A pesquisa do Plano de Mobilidade Urbana será constituída em várias modalidades, sendo a principal o levantamento de origem destino. Neste, cinco mil domicílios serão visitados, com todos os moradores acima de dez anos precisando responder um questionário sobre hábitos de deslocamentos diários. A cidade será dividida em 88 zonas, sendo oito nos distritos e 80 na área urbana. A definição será pela similaridade socioeconômica e necessidades comuns. Além disso, serão feitas seis mil entrevistas nas vias com maior tráfego, 1,5 mil avaliações da qualidade dos serviços de transporte coletivo urbano nos ônibus e 600 questionários serão respondidos por ciclistas.

O executivo publicou em fevereiro edital para contratação de empresa especializada em consultoria de engenharia de transportes e de planejamento urbano, para atendimento da lei federal 12.587. O edital, orçado em R$ 4,3 milhões, prevê um prazo de 14 meses para concluir a execução de projetos propositivos, sendo seis para apresentação de relatório de resultados dos levantamentos e pesquisas. O dinheiro para o investimento foi devolvido aos cofres do município pela Câmara de Vereadores.

A última vez que Londrina fez uma verificação desde tipo foi em 1994. "Desde então a cidade ganhou vários shoppings centers, que são polos geradores de tráfego, e faculdades. Quando não consegue ter uma base atualizada, somos obrigados a ir a campo fazer levantamento de cada projeto sobre o qual precisamos tomar decisões. Isto tem um custo grande e as definições são mais morosas", aponta Denize Ziober, diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul. Em 2006, o município também passou a utilizar como referência pesquisa de linhas de ônibus feita pelo Paraná Cidades.

MELHORIAS
Segundo Ziober, os dados ajudarão a modelar possíveis cenários de deslocamento, conflitos e simulação de gargalos no trânsito, para que possam ser apresentados resultados mais próximos da realidade. "A partir disso será estudado o volume de deslocamentos que se dá diariamente, os horários e motivos. Todas essas informações são necessárias para orientar a política de deslocamento da cidade dos próximos anos."

Outra questão importante é em relação aos acidentes. Com a pesquisa detalhando os verdadeiros problemas do trânsito londrinense, os números de ocorrências poderão ser diminuídas com medidas pontuais. "O custo da mobilidade na cidade onera diretamente na saúde. Se existe o desejo de uma cidade sustentável, é necessário melhorar as estatísticas de acidentes", afirma. Somente em 2017, 90 pessoas perderam a vida no trânsito da cidade. Em 2014, o gasto total com indenizações (mortes e invalidez) pagas pelo Seguro DPVAT no Brasil foi de R$ 3,4 bilhões.

Pesquisa ajudará em outras demandas

A empresa que vai ser contratada para elaborar o Plano de Mobilidade Urbana colherá outras informações que serão usadas pelo município. Uma delas é referente ao Calçadão de Londrina, que terá um estudo específico. "Com isso poderemos formular projetos que facilitem a circulação na região, mas que não tenham impactos negativos no patrimônio histórico. É uma requalificação da infraestrutura, podendo ser criadas rotas de bicicletas elétricas para que a população se desloque gratuitamente ou até pensar em uma cobertura neste espaço", exemplifica Denise Ziober.

Com o contrato de concessão do transporte coletivo vencendo no final de 2018, o levantamento irá subsidiar o futuro do serviço. "Estas pesquisas podem ajudar a entender o cenário de quantos passageiros são transportados, se as linhas estão nos lugares corretos, cortar quilometragem ociosa, ajustar custo a uma tarifa justa. Visualizar as formas de como a licitação deve ser conduzida", projeta a diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul. A integração de Londrina com a região metropolitana será estudada.

Atualmente, a cidade já conta com algumas ações que vão ao encontro do que pede a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Nelas estão inclusas a implantação do Super Bus e das faixas exclusivas para ciclistas e ônibus. O plano de mobilidade é setorial dentro do Plano Diretor, que também começou a ser discutido.

'O trânsito é agressivo'

Em Londrina, algumas soluções já vão ao encontro da Política Nacional de Mobilidade Urbana, como as faixas exclusivas para ônibus
Em Londrina, algumas soluções já vão ao encontro da Política Nacional de Mobilidade Urbana, como as faixas exclusivas para ônibus | Foto: Marcos Zanutto


A Política Nacional de Mobilidade Urbana traz entre as medidas que podem ser adotadas pelos municípios o acesso restrito a veículos motorizados em determinados locais e horários, visando uma maior utilização do espaço público por pedestres e ciclistas. No dia a dia, porém, este tipo de sugestão fica restrita apenas à teoria. Precisando andar por vários locais de Londrina por conta do trabalho, o office boy Henrique Frigo, 21, sabe bem o que é isso.

"O trânsito é bem 'agressivo'. É muito relativo os lugares em que o pedestre tem vez. Somente quando tem o sinaleiro é que acaba sendo mais tranquilo. No geral, atravessar depende da sensibilidade do motorista. Imagina o quanto isso se torna mais difícil para quem é deficiente físico ou idoso", preocupa-se o jovem, que também é estudante de jornalismo. A opinião é compartilhada pela ciclista Paula da Silva, 31. "No nosso caso tem o agravante de termos poucas e desconexas faixas exclusivas. É uma 'briga' constante por espaço."

Diariamente se deslocando por regiões de trânsito intenso, o gerente comercial Oswaldo Felix, 46, reconhece que muitas vezes o próprio motorista atrapalha a mobilidade. "Param em fila dupla, estacionam em lugar irregular, não sinalizam a seta. Horário de saída e entrada em escolas é um exemplo", lembra. Para a empregada doméstica Leila Souza, 52, a qualidade do transporte público deixa a desejar. "A linha 213 mesmo vive lotada e vamos como se estivéssemos 'enlatados'. O terminal urbano não oferece uma estrutura digna", reclama.

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