Milhares de cidadãos serão ouvidos
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domingo, 04 de março de 2018
Pedro Marconi<br>Reportagem Local 

A pesquisa do Plano de Mobilidade Urbana será constituída em várias modalidades, sendo a principal o levantamento de origem destino. Neste, cinco mil domicílios serão visitados, com todos os moradores acima de dez anos precisando responder um questionário sobre hábitos de deslocamentos diários. A cidade será dividida em 88 zonas, sendo oito nos distritos e 80 na área urbana. A definição será pela similaridade socioeconômica e necessidades comuns. Além disso, serão feitas seis mil entrevistas nas vias com maior tráfego, 1,5 mil avaliações da qualidade dos serviços de transporte coletivo urbano nos ônibus e 600 questionários serão respondidos por ciclistas.
O executivo publicou em fevereiro edital para contratação de empresa especializada em consultoria de engenharia de transportes e de planejamento urbano, para atendimento da lei federal 12.587. O edital, orçado em R$ 4,3 milhões, prevê um prazo de 14 meses para concluir a execução de projetos propositivos, sendo seis para apresentação de relatório de resultados dos levantamentos e pesquisas. O dinheiro para o investimento foi devolvido aos cofres do município pela Câmara de Vereadores.
A última vez que Londrina fez uma verificação desde tipo foi em 1994. "Desde então a cidade ganhou vários shoppings centers, que são polos geradores de tráfego, e faculdades. Quando não consegue ter uma base atualizada, somos obrigados a ir a campo fazer levantamento de cada projeto sobre o qual precisamos tomar decisões. Isto tem um custo grande e as definições são mais morosas", aponta Denize Ziober, diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul. Em 2006, o município também passou a utilizar como referência pesquisa de linhas de ônibus feita pelo Paraná Cidades.
MELHORIAS
Segundo Ziober, os dados ajudarão a modelar possíveis cenários de deslocamento, conflitos e simulação de gargalos no trânsito, para que possam ser apresentados resultados mais próximos da realidade. "A partir disso será estudado o volume de deslocamentos que se dá diariamente, os horários e motivos. Todas essas informações são necessárias para orientar a política de deslocamento da cidade dos próximos anos."
Outra questão importante é em relação aos acidentes. Com a pesquisa detalhando os verdadeiros problemas do trânsito londrinense, os números de ocorrências poderão ser diminuídas com medidas pontuais. "O custo da mobilidade na cidade onera diretamente na saúde. Se existe o desejo de uma cidade sustentável, é necessário melhorar as estatísticas de acidentes", afirma. Somente em 2017, 90 pessoas perderam a vida no trânsito da cidade. Em 2014, o gasto total com indenizações (mortes e invalidez) pagas pelo Seguro DPVAT no Brasil foi de R$ 3,4 bilhões.
Pesquisa ajudará em outras demandas
A empresa que vai ser contratada para elaborar o Plano de Mobilidade Urbana colherá outras informações que serão usadas pelo município. Uma delas é referente ao Calçadão de Londrina, que terá um estudo específico. "Com isso poderemos formular projetos que facilitem a circulação na região, mas que não tenham impactos negativos no patrimônio histórico. É uma requalificação da infraestrutura, podendo ser criadas rotas de bicicletas elétricas para que a população se desloque gratuitamente ou até pensar em uma cobertura neste espaço", exemplifica Denise Ziober.
Com o contrato de concessão do transporte coletivo vencendo no final de 2018, o levantamento irá subsidiar o futuro do serviço. "Estas pesquisas podem ajudar a entender o cenário de quantos passageiros são transportados, se as linhas estão nos lugares corretos, cortar quilometragem ociosa, ajustar custo a uma tarifa justa. Visualizar as formas de como a licitação deve ser conduzida", projeta a diretora de Trânsito e Sistema Viário do Ippul. A integração de Londrina com a região metropolitana será estudada.
Atualmente, a cidade já conta com algumas ações que vão ao encontro do que pede a Política Nacional de Mobilidade Urbana. Nelas estão inclusas a implantação do Super Bus e das faixas exclusivas para ciclistas e ônibus. O plano de mobilidade é setorial dentro do Plano Diretor, que também começou a ser discutido.
'O trânsito é agressivo'

A Política Nacional de Mobilidade Urbana traz entre as medidas que podem ser adotadas pelos municípios o acesso restrito a veículos motorizados em determinados locais e horários, visando uma maior utilização do espaço público por pedestres e ciclistas. No dia a dia, porém, este tipo de sugestão fica restrita apenas à teoria. Precisando andar por vários locais de Londrina por conta do trabalho, o office boy Henrique Frigo, 21, sabe bem o que é isso.
"O trânsito é bem 'agressivo'. É muito relativo os lugares em que o pedestre tem vez. Somente quando tem o sinaleiro é que acaba sendo mais tranquilo. No geral, atravessar depende da sensibilidade do motorista. Imagina o quanto isso se torna mais difícil para quem é deficiente físico ou idoso", preocupa-se o jovem, que também é estudante de jornalismo. A opinião é compartilhada pela ciclista Paula da Silva, 31. "No nosso caso tem o agravante de termos poucas e desconexas faixas exclusivas. É uma 'briga' constante por espaço."
Diariamente se deslocando por regiões de trânsito intenso, o gerente comercial Oswaldo Felix, 46, reconhece que muitas vezes o próprio motorista atrapalha a mobilidade. "Param em fila dupla, estacionam em lugar irregular, não sinalizam a seta. Horário de saída e entrada em escolas é um exemplo", lembra. Para a empregada doméstica Leila Souza, 52, a qualidade do transporte público deixa a desejar. "A linha 213 mesmo vive lotada e vamos como se estivéssemos 'enlatados'. O terminal urbano não oferece uma estrutura digna", reclama.


